Está aqui

Opinião

O lenço

O lenço preto na cabeça

não tem significado

apenas quer ser lembrado

com medo de quem se esqueça.

Ninguém merece perder;

merino negro, penumbra no cabelo.

Às pintas ou às cores é possível vê-lo

no labor do campo, ao amanhecer.

 

Sol abraça o lenço,

O novo e estúpido normal

É mais assustador que o vírus esta coisa a que insistem em chamar “novo normal”.

Não é normal; é só estúpido. Estúpido e contranatura.

Estúpido como obrigar crianças pequenas a ir à escola e ficarem dentro de um círculo, afastados, para não se tocarem, a não brincarem, a não serem aquilo que de melhor somos: humanos.

Estados Desunidos da América

Por Guilherme Catarino

Fomos confrontados na última semana, com infindos vídeos a propósito da morte polémica de um cidadão afroamericano, no estado de Minneapolis. Já algemado após, alegadamente, tentar burlar um vendedor de uma loja de conveniência, e sem apresentar qualquer sinal visível de resistência perante os cerca de sete polícias que o vigiavam e seguravam, George Floyd é violentamente impedido de respirar, durante cerca de 8 minutos por um dos polícias, enquanto roga pela vida.

O PEES e o Desenvolvimento Regional

Os dias são de desconfinamento e retorno das nossas atividades produtivas, ao mesmo tempo que as autoridades calculam o tamanho da crise, as suas consequências e os seus 'antibióticos'. Sabemos que estamos longe de afastar o cenário da pandemia e todos os seus efeitos, pelo que estamos ainda obrigados a um dever de vigilância permanente e reforço da capacidade do nosso - agora reconhecido - Serviço Nacional de Saúde.

A ordem mundial anarquista da atualidade

Alguém tem um relógio? Que dia é hoje? Hoje comemoram-se os 2 meses e 9 dias em que as nossas vidas mudaram radicalmente e tentamos arduamente para que voltem ao normal, mas de nada vale o esforço se não somos nada para além de carne e osso, sentimentos e pensamentos que facilmente são corroídos por um vírus que tem ceifado imensas vidas ao longo de todo o mundo e, também, por aqueles que convivem connosco.

Mãe Galinha

Pedrês de seu nome, era uma franganita do campo. Nascida de um ovo, chocada com mais 8 irmãos, desde pintainha que cedo aprendeu a seguir a mãe, sentir-se protegida e aprender a lidar com as adversidades.

Ir parar ao tacho e transformar-se em cabidela era uma delas, embora não o soubesse.

Pedrês foi crescendo com os irmãos e com as irmãs e conheceu verões, invernos, primaveras, outonos. Houve períodos de mais abundância e períodos mais difíceis durante o seu crescimento.

A falta que faz estarmos juntos

Acedo ao "link" que me conduz a mais uma reunião. Um ecrã separa-nos e confina-nos a um rectângulo demasiado pequeno para quem tem o hábito de recorrer frequentemente aos gestos para dar força às palavras. Tento não sair da caixa, mas as rodas da cadeira e a posição das pernas convidam ao balanço. Concentro-me. Nos meus movimentos e nas palavras dos interlocutores.

Bloco Central na presidência

À falta de tema para acelerar a política durante o Covid, António Costa, numa fábrica de automóveis não portuguesa, lança a candidatura e declara o professor Marcelo como vencedor. De recordar que até à bem pouco tempo vivíamos uma solução engenhosa chamada Geringonça, onde fundamentamente por pressão dos únicos partidos de esquerda, BE e PCP, alguns rendimentos foram devolvidos.No entanto, quando surgiam as reformas estruturantes para o país (áreas que verdadeiramente podem transformar um país) o recuar do PS era evidente, apoiando-se no histórico PSD.

O sonho americano neste carnaval fora de época

O sonho americano neste carnaval fora de época e os (re)descobrimentos portugueses

Corria o ano de 1937, em pleno Estado Novo, quando o parecer à proposta de Lei do contrato de trabalho da Câmara Corporativa apontava a segurança no emprego como a “grande preocupação das modernas legislações do trabalho”, depois do “flagelo mundial do desemprego” (ver fonte na nota 1). Quem diria que em pleno ano de 2020 uma calamidade mundial que não poupou países nem isentou qualquer grupo ou segmento da população mundial viesse trazer a evidência mais direta sobre as novas relações de trabalho.

Sim, isto é, não. O jantar não foi bom - Crónicas de um médico italiano em tempos de pandemia

 

Espelho: Vejo que estás muito bem hoje de manhã

Eu: Obrigado.

Espelho: Nitidamente o jantar com salada, tomate, pepino, fruta fez-te bem.

Eu: Sim, foi um bom jantar. Mas o que vais me dizer, isómero de má sorte? Quando começas assim, é porque queres estragar o meu dia.

Espelho: Mas não! Eu estava simplesmente a indagar como te sentes, quando comes frutas e legumes.

Eu: Faz-te entender ou cala a boca!

Páginas