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Sentir

Outrora quebrada, ela respira esperança com o auxílio da simplicidade. Outrora em peças espalhadas, há um abraço que a traz de volta a casa. Há beleza que cobre um corpo. Há vida por detrás de um sorriso. 

Um lar. Dois corpos. Almas separadas. Corações cruzados. Felicidade.

A duração da música foi cortada e nela, no presente, reina um silêncio aconchegante.

Dois fantasmas aparecem a lutar. A lutar por não conseguirem tirar as mãos um do outro. Os vestígios que imploramos para não desaparecerem.

Sabias de cor

Vem-me buscar. Estou onde sempre estive, sem pressas. Está na (tua) hora e o meu relógio bate constantemente nos ponteiros que exigem paz num mundo nosso.
Atrás da minha respiração, está a nossa canção a reproduzir-se sistematicamente e a minha mente implora, sussurrando sobre o dia que partiste e deixaste-me sem fôlego. Quero voltar a
casa. Suplico por conforto.

Novo Mundo

Com forma de anjo, a transmitir o branco mais pacífico que já passara pelos meus olhos, com o branco mais fascinante que não me pertencia, agarro-o e desejo nunca mais largar. Há uma calma a nascer ao meu redor e respiro-a. Uma serenidade que me une à felicidade. Um pôr do sol acompanhado de uma respiração sossegada.

O meu corpo rejeita a dor e um sorriso cresce perante uma melodia inconstante que sai diretamente do meu coração, para um mundo novo. Uma alma abundante de harmonia, prende-se na minha como uma âncora persistente. Faço figas.

Ela

Alguém que a acorde. Alguém que a traga de volta. Alguém. Só (é) preciso alguém.

Sem vida, mas intacta, caracterizada pela energia contagiante, aqui está ela, presente tudo e todos. A luta está constantemente presente no seu quotidiano. Hoje, a luta entre pedir auxílio ou se deixar levar pelas rajadas fortes de ventos que faz tremer corpos. A sua cabeça atinge o auge de força e, de tão pesada que se encontra, cai já como se fizesse parte do plano.

Almas desalinhadas

Uma caiu, e a seguinte ameaça percorrer o mesmo caminho.

Há nuvens com formatos por desvendar que cobrem a minha cabeça, há um sentimento novo que me agarra e promete ficar até aos finais dos meus dias.

A cor azul prende-me para que nunca mais seja largada contra o vento. Sorrio pela solidão ser tão colorida.

Uma dor está deitada sob o meu corpo e forma um novo corpo que se junta ao meu. Uma vontade. Um desejo. Foi prometida a eternidade e não há rasto.

Ainda julho

Numa noite quente de julho, os meus olhos pretos transmitem pequenos raios de ansiedade. Um passo em frente e caio para trás. Dou balanço e as minhas costas reproduzem um barulho sonoro similar à dor quando embatem no chão.

A cura

Apertou e gritou. Suplicou e chorou. Deu a volta ao meu corpo e encontra-se perdido dentro do mesmo sem rasto.

Salgadas e quentes. Irrequietas e seguindo direções opostas, queimam sob o meu rosto melancólico.

Fechada e a arder. É acompanhada de sentimentos de medo e de mão trémulas.

Caí e dói. Há sangue. Há dor. Há paz invisível.

Permaneço caída a ouvir os sons e as sensações que eu mesma transmito.

Existem memórias espalhadas ao meu redor, junto de lembranças que ardem e pensamentos cortantes. Há anos ao meu redor e deito a minha cabeça no chão.

O Voo

Pesado e quente, apertado e irrequieto, tenta falar comigo. Era apenas um coração melancólico a apelar ao meu sonho de adolescente, amante de livros clichês. Era apenas um desejo. Apenas.

As borboletas que outrora elaboravam a coreografia mais cativante que já vira, transformaram-se num vácuo ocupado por silêncio. A trovoada roubou, pela calada, o sol quente que me abrigava e eu aprendi a gostar da chuva e da frescura que me oferecia.

Na minha perspetiva

Se eu pudesse voar, seguiria até aos teus braços que me acolhem como se fossem casa. Se prestar atenção acompanho a melodia que o teu coração forma constantemente. Se tu prestares atenção a quem seguras, conseguirás ouvir o sorriso que se revela pela razão que guardamos como o segredo mais profundo que carregamos.

As nossas mãos unem-se e os meus olhos nos teus pedem por mais sabendo que vivo presa num sonho. Os meus pés ficam elevados para ficar mais próxima a ti, de forma a que os nossos corações se juntem e formem um só.

Último Segundo

Estamos os dois sentados com as pernas estendidas. O sol, envergonhado, lança pequenos raios de cores quentes avisando que se vai despedir em breve. Tal como nós.

Acredito que ambos nos decidimos ficar pelo silêncio confortável por não saber passar para palavras o que estamos a sentir neste momento, nesta situação. Os nossos pensamentos queimam num volume estridente. Entre as nossas respirações tristes e irregulares, estico a minha mão até esta entrelaçar num amor profundo com o dono de um amor impossível.

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