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Não é louco?

Não é louco? Como o tempo passa tão depressa e eu permaneço sentada nesta pedra que tanto marca a minha pele? Não é fascinante? Como o céu continua com o seu azul mais clarinho, embora as minhas emoções demostrem o contrário. Não é de outro mundo?

Decidi levantar-me.

O vento dança com o meu cabelo e deixo-os caírem num amor profundo. Os meus pés estão enterrados na terra e um castanho molhado com uma textura não agradável agarra o meu pé como eu te agarrava a ti.

Não é louco?

Mar meu

Pouso o meu pé com a maior delicadeza do mundo e sou coberta pela areia mais fina que já estivera em contacto.

Fecho os olhos.

Inspiro.

Cheira a novo. Cheira a mar.

Abraço o cheiro e com todo o cuidado do mundo, vou abrindo os olhos. Eles sorriem secretamente. É o nosso segredo.

O meu coração que outrora batia furiosamente contra mim, começa a criar uma sinfonia com a minha respiração.

Sem perceber, a minha pele é cumprimentada por lágrimas ácidas que não sabia que existiam. Estou sozinha. Sempre estivera.

Toda a gente precisa de um coração

Toco em ti como se de uma nuvem te tratasses. Com toda a delicadeza que tenho num dedo. É mágico e frágil. Um coração tão lindo e puro.

Com as nossas mãos entrelaçadas como se a nossa vida apenas dependesse disso, os nossos olhos falam o que as nossas bocas não conseguem, falam sem darem pelas horas passarem.

Como disse, tudo gira à volta da magia mais bonita que já conhecera. Um pedaço de arte que voa para além das estrelas. Todos precisam de uma inspiração e eu encontrei a tua alma.

Todos precisam de um coração jovem e selvagem e eu tenho o teu.

Oh, sol

O sol está amarelo. O sol está a queimar-me. O sol está a puxar-me para a felicidade. O sol pretende desenhar um sorriso na minha face que suplica tranquilidade.

Sinto que o sol é meu. Sinto que o sol vive para mim.

O sol de fevereiro abraça-me no abraço mais acolhedor que conhecera desde o fevereiro passado. O sol de fevereiro canta para mim.

Mas, chega de anáforas. A luz que o sol pinta não passa de uma ilusão.

Meu futuro amante, perdoa-me. Não confies no meu coração.

O céu está nu e desenho as minhas desculpas nele.

Flores

O meu campo de visão é preenchido por uma imagem pura: a lua está a cair.

Sinto o meu coraçãozinho pequenino a apertar.

Dói. Estou hesitante. Será que é bom estar numa relação a longo prazo com a dor? Será que é bom estar a doer?

As onze da noite batem e as estrelas que pintam o céu comunicam comigo. Tentam transmitir-me algo, mas não as consigo ler. Cantam todas juntas uma melodia incompreensível. Peço ajuda a uma estrela cadente; é esta a função delas, certo?

Indenidade

Não te consigo ver.

Está tudo tão cinzento.

Mexe-te, por favor. Esforça-te por mim.

A nuvem insiste estar permanentemente desenhada à minha frente com um olhar incerto que nem o teu sorriso a consegue iluminar.

Não te afastes de mim; eu sei que me consegues ver, eu consigo sentir-te do outro lado.

Chão frio

Chão frio. Cabeça pesada. Alma cheia.

Mãos dormentes. Olhos tristes. Alma depressiva.

Espelho sujo. Canção aborrecida. Alma aflita.

Tempo zangado. Madrugadas infinitas. Alma doente.

Ainda bem que chegaste. Ansiava a tua visita. Deixa-me aclarar-te a mente: o fumo é verdadeiro. Nada dura para sempre. Vamos fugir. Correr até nos cansarmos. Dançarmos até morrermos. Chorar até doer.

Saudade da esperança

Se a saudade chorasse, viveria num oceano profundo; se eu desse autorização ao meu corpo, ele cairia  berrando o teu nome constantemente; se pousasse o meu corpo no oceano, ele boiaria sem pensar.

Hoje, continuo a dançar com a tua sombra nesta cidade velha e gasta; cada memória, cada lembrança, queima-me profundamente. 

O meu coração continua a despedaçar esperança, as minhas mãos tremem sem as tuas por perto, e estas quatro paredes questionam-me: “será que ele pensa em ti como pensas nele?”. Aviso-as para terem cuidado, que já tiveram demolidas anteriormente. 

Saber (a)mar

Pouso a palma do meu pé esquerdo delicadamente na areia molhada; ficando este com pingas, nunca esquecendo da camada de areia que o pinta serenamente. Respiro fundo e inalo o cheiro da maré cheia que dança ao meu redor: cheira a esperança, cheira a novo, cheira a renovação. Assim que o meu peito baixa, fecho com cuidado os olhos, sentido o mesmo a relaxar. Estou num estado profundo de calma.

Outro passo e tenho os meus dois pés dentro de água. Outro e a água voa pelos meus tornozelos. Ar. Preciso de ar, de novo. Volto a repetir a ação passada e recebo novas sensações.

Deixem-me

Deixem-me. Quero estar sozinha. Quero esta sozinha enquanto o mundo estiver pintado a preto e branco. O mundo continua a transpirar crueldade e não consigo respirar. Larguem-me. Preciso de espaço. Preciso de enxergar com os meus próprios olhos; caso contrário, não acredito.

Suspiro.

Abraço o chão com a palma do meu pé devagarinho. Vivo numa relação intensa com o medo. O meu coração é agredido por olhares penetrantes tendo uma ferida constantemente aberta. O género que tenho tem o poder de mudar o meu destino. O meu fado está mão de outros.

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