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Opinião

Vamos inventariar o arvoredo de Évora?

As árvores constituem um património importante nas cidades: pela sombra, pela qualidade do ar, pelo acréscimo de beleza que conferem às nossas ruas, pela vida que proporcionam a todos os seres, pelo bem que nos fazem só de as vermos! Todos concordamos com isso. Ou quase. Parece ser mais pacífico vermos as árvores nas ruas dos outros do que nas nossas. Se há umas folhas que caem no nosso pátio ou se se vislumbra o risco de um ramo cair no nosso carro o melhor é pedir o corte da árvore que nos transtorna.

Querem calar a imprensa

Há poucos dias atrás, dezenas de personalidades de esquerda assinaram uma carta aberta dirigida às televisões generalistas a pedir contenção na informação sobre a pandemia e a criticar o que consideram ser o excesso informativo, o tom agressivo usado nalgumas entrevistas e a "obsessão opinativa".

Não fosse uma carta escrita há tão poucos dias, poderia fazer lembrar os discursos bafientos dos regimes mais antidemocráticos que existiram ao longo da história.

Alfaiate

Anselmo era alfaiate. Tinha essa profissão há muitos anos. Quase tantos quantos tinha. Habituado a ser profissional, fazia do tecido existente um modelo novo. Eram peças de roupa novas e modernas que saiam do seu ateliê.

Neste mundo de Anselmo, o tecido era sempre de boa qualidade. Não tinha uma oficina fixa. Andava quase como que um alfaiate ambulante, ao domicílio. Era lá, nas casas, que fazia os modelos fantásticos.

A gota mais pequena desta ribeira

Sempre que aqui estou, sinto ser
a gota mais pequena desta ribeira,
que corre em busca
do encontro inesperado
com um rio que me queira.

Não ambiciono fazer parte
de um rio muito grande,
e afluir em águas famosas
é o que menos quero.

Sempre que aqui estou,
sinto que sou o que
a gota mais pequena desta ribeira
nasceu para ser:
— um pouco do som,
da luz, da paz e do luar
que te faz fechar os olhos
e me desejar.

 

Imagem de wikimedia.org

Um palco sem asas

Pouco mais do que uma criança, comecei a apaixonar-me pelo tabuleiro de xadrez. Os jogos noturnos entre o meu pai e o meu irmão mais velho, ambos amadores apaixonados, eram um ritual doméstico de suspensão silenciosa da passagem do tempo e dos acontecimentos. Logo aprendi as regras, que não são complexas, e em pouco tempo comecei a sentir, antes mesmo de entender, que este jogo com mais de mil e quatrocentos  anos, na realidade não é simplesmente um jogo.

Banhos de São Romão, uma tradição do Litoral Alentejano

Continuando o roteiro pela riqueza cultural da nossa região, seguimos até ao esplendor da costa alentejana. Lugar calmo e fascinante, pela sua paisagem, esta faixa litoral tem sido considerada nos últimos tempos como um dos últimos redutos das costas selvagens na europa.  As suas praias, de características naturais e selvagens, dão-lhe também o estatuto das mais belas e puras do mundo.

E é precisamente num dos paraísos do litoral alentejano (Lagoa de Santo André), que relembramos a tradição dos banhos de São Romão.

In Memoriam Gonçalo Ribeiro Telles

“Não acuse a Natureza, ela faz a parte que lhe cabia. Agora, faça a sua” John Milton

 

Oh, sol

O sol está amarelo. O sol está a queimar-me. O sol está a puxar-me para a felicidade. O sol pretende desenhar um sorriso na minha face que suplica tranquilidade.

Sinto que o sol é meu. Sinto que o sol vive para mim.

O sol de fevereiro abraça-me no abraço mais acolhedor que conhecera desde o fevereiro passado. O sol de fevereiro canta para mim.

Mas, chega de anáforas. A luz que o sol pinta não passa de uma ilusão.

Meu futuro amante, perdoa-me. Não confies no meu coração.

O céu está nu e desenho as minhas desculpas nele.

Uma família de papagaios

Era uma larga família de papagaios, uma família tão comum como qualquer outra família, só que esta era de papagaios. Eram o papagaio, a papagaia e os papagaios pequeninos que somavam na totalidade, dez. Era uma família numerosa de 10 pessoas.

Alcateias

No meu país
errar é coisa feia
é antónimo de progresso
é sinónimo de insucesso
e é homónimo de alcateia.

Porque aqui não se pedem desculpas,
recitam-se verbos carregados de culpa
exoneram-se todas as primeiras pessoas
- as do singular e as do plural
intocáveis, tal como o uivo
de um lobo solitário.

 

Imagem de cienciasbioblog.files. wordpress .com

 

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