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A medida de todas as coisas

Expressão tantas vezes utilizada e tantas vezes não sabemos o que significa. Pois, nem nós nem o Senhor Senhorinho. Assim era seu nome e era vendedor de mercados e feiras há muitos anos. Senhor Senhorinho vendia tudo, mas tudo mesmo. Desde a mais simples peúga, ao mais complexo aparelho de televisão em HD, tudo estava à venda no atrelado do Senhor Senhorinho. Vendia de tudo e conhecia tudo. Tinha sementes... grão, feijão, trigo, aveia, cevada e até farelo. E, pior, vendia de tudo com a medida precisa, pois tinha a medida de todas as coisas.

Festival

Eram 3 dias de loucura que passariam a correr. Tudo começaria na sexta-feira ao final do dia e acabaria no domingo à noite, sensivelmente à mesma hora que tinha começado.

Aos pulos e aos saltos

Tinha a inocência de uma criança, embora tivesse os seus oitenta anos. Esta é a narração da vida do homem que pulava e saltava mais do que qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo.

A encomenda

Sentado à porteira da casa, olhar fixado no fundo da rua, esperava algo. E esse algo era uma encomenda. Tinha encomendado uma encomenda e esperava ansiosamente pela sua chegada como uma criança espera pelas prendas de Natal.

Cá ou lá?

Marisela Archeira tinha cara de poucos amigos e um feitio como havia poucos. A senhora destacava-se na comunidade onde residia por ser a mais rígida das mulheres. Daí teria surgido a sua alcunha Archeira, isto porque atirava e acertava a direito!

Marisela Archeira tinha nascido de uma família de nome, rica e com propriedades. Mas Archeira não era do tipo emproado que ficava usando vestidos de fole e não se preocupava com o bem estar dos seus bens. E bens tinha em género, espécie e numerário.

Marisela Archeira tinha vacas, cabras e ovelhas. Tinha galinhas, coelhos e fracas.

Outros tempos

Pirilimpimpau era um sítio no imaginário das pessoas que lá viviam, seja lá o que isso significa. Os habitantes de Pirilimpimpau eram os Pirilimpompeiros e tinham a particularidade de viver num lugar em que só se podia entrar e sair uma vez por ano, exatamente no mesmo dia, 13 de abril, que por acaso até é hoje.

Três peras

As palavras-chave são a coisa que nos ajuda a chegar a algum lugar, sem passar por caminhos tortuosos. Tantas vezes somos confrontados com situações em que aquilo que procuramos dizer ou transmitir não sai da forma como queremos. Isto pode ser um problema e é assim tantas vezes.

Entropias

Ora, eu naquele sábado entro em Pias, pela entrada que vem do lado da Nacional 2, chego a um café e peço um copo do tinto, daquele do bom dali da terra. Não se tratou de uma grandeza termodinâmica que mensura o grau de irreversibilidade de um sistema, mas sim da minha vontade insuperável em beber um copo daquele tinto de Pias e aproveitar um bom de um queijinho de Serpa. Dei a chave aos meus companheiros de viagem e joguei-me ao copo, mastiguei um bocado de pão e deixei que as minhas papilas gustativas devorassem e se arrepiassem com aquele meu gesto pecaminoso.

Caspa

Todo o dia. A todas as horas. A todo o momento. Caspa. Kasparov, o famoso jogador de xadrez, sofria de caspa e isso era uma enorme maçada que impedia um xeque-mate perfeito. Na sua vida de campeão, aquela neve branca que se lhe assentava sobre os ombros, tornava-se num peão que não andava muito. Kasparov havia de se habituar, mas já tinha perdido uns jogos à conta disso. Os tabuleiros pareciam a Guerra dos Tronos e, da cabeça do jogador, caía a neve e o Inverno estava a chegar.

O piolho aventureiro

Baseado em história verídica, este texto não aconteceu mesmo. Começa, como todas as boas histórias com um era uma vez. Neste caso era um piolho.

O piolho, ao qual me afeiçoei, e isto só partilho convosco, chamava-se Lhinho, diminutivo de Piolhinho. Era uma coisa carinhosa. Creio que aquilo que mais me despertou a atenção foi o facto de o piolho a quem nos dedicamos ser detestado por toda uma comunidade humana.

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