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Beatriz Velez

A Caixa de Pandora

“Pára. Pára de tentar. Pára de esconder o sofrimento e as frustrações debaixo da tua almofada; é lá que descansas a tua mente e onde os teus pensamentos sonham”. Sou a que tudo tem e a que tudo tira. Hesíodo fala sobre mim, e diz: “Dela vem a raça das mulheres e do gênero feminino / dela vem a corrida mortal das mulheres / que trazem problemas aos homens mortais entre os quais vivem, / nunca companheiras na pobreza odiosa, mas apenas na riqueza”.

Autosabotagem

Desconsidero qualquer tipo de saudação para esta redação, pois não cumprimento quem não é correto e já saiu de mim há muito tempo; e também porque é particularmente difícil para mim escrevê-la, e ainda tive de consumir uns sete cigarros antes de me iniciar. Aviso, desde já, para teres cuidado sempre que lês as minhas palavras, porque estás a vestir a minha alma sufocada, mórbida; espero que saibas como utilizar tal vestimenta. Eu dispo-me para todos vós sempre que escrevo. Decomponho-me sempre que vos escrevo. Suplico um enorme respeito, porque já sei que se o pedir não mo vão dar.

Oxímoro

Perdi a oportunidade de estar calada. Já havia sufocado há uns dias, e as palavras saíram disparadas como punhais, imperdoavelmente; perdoa-me (ou não). Sinto que não estou bem e nada está mal. Fecho os meus olhos. Inspiro; mas suspiro. Nada vejo. Nada sinto. Já nada me arrepia. Rogo-te por uma excomunhão; sentirei algo?

T(E)U

Estou sentada à beira do (nosso) rio e observo o carinho suave entre o laranja do céu e a água. Porque está tudo tão cinzento, e tão frio? Foco-me nas árvores, e as folhas dançam consoante o vento. Não aguento o buraco que tenho no meu peito (dói tanto), e acendo um cigarro enquanto aprecio soft grunge e caminho pela calçada; a tua calçada. A minha mente é dissolvida nas memórias construídas ao nosso redor e quero gritar-te que o passado não tem de ser parte de nós. Nós somos algo novo e prosperamos no presente.

Confissão ao meu amor (im)possível

Mil e uma desculpas ao meu amante desconhecido. A ti. Desculpa-me.

Creio que o meu amor tem ossos frios e se esconde como o vento entre as folhas de todos os jacarandá-mimosos.

Creio que o meu amante descansa o seu corpo numa cama com lençóis frios e eu não quero verter mais lágrimas, mas eu quebro a minha alma assim mesmo.

Dói

Dói - digo-te. Está a doer - aviso-te. Permaneces com o meu coração nas tuas mãos. Apertas com força. Pára, nada. Mas tu não te importas minimamente com isso. Continuas com as mesmas ações; aquelas que são inexistentes. Sei que odeias correr riscos; não poderás abrir uma exceção? Não gostas de caos, organizas tudo. Qual é o meu lugar? Nada fazes. Nada dizes. Tampouco praticas.

Eu não sou capaz de te mentir; tu és? Serias capaz de admitir todas as palavras que tens engolido? Oxalá não sufoques. Como saberei, então?

Verne – O Verme Do Verbo

Sobrevivi. Eu, hoje, sobrevivi. Não sorri. Não me ri. Não brinquei. Não me senti feliz. Nem me senti triste. Muito menos, vivi. Eu apenas sobrevivi; e tudo bem com isso. E se tudo o que eu fiz hoje foi aguentar-me até chegar a casa, abrir a porta do meu quarto e atirar-me para o colchão da cama, já foi alguma coisa; fiz algo, e estou orgulhosa de mim mesma.

Niilismo-Invicta

Século XXI: vigésimo primeiro século da Era Comum. Ainda somos nós, jovens, a salvação da nossa própria geração? Temos ossos frios e frágeis, são de vidro.

O preconceito com as doenças mentais

Após o visionamento e a análise da reportagem "E Se Fosse Consigo? O preconceito e os receios em torno das doenças mentais", exibida no canal SIC, confesso que fiquei completamente arrasada por ter conhecimento das opiniões absurdas de certas vozes. Iniciemos este discurso com a afirmação de que sim, as doenças mentais são reais. E mais. Controláveis.