8 Agosto 2020      18:41

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Isaías, um furão da vida

Quem era Isaías? Que força da natureza era esta que impressionava todo e qualquer um que no seu caminho alguma vez se tenha cruzado. Isaías nasceu numa ilha do Atlântico. Os seus pais, furões selvagens, nunca tinham tido outra vida a não ser comer bagas, outros alimentos, excrementar e procriar. Entre os muitos frutos da sua procriação nasceria Isaías. Não sei porque lhe deram esse nome, mas quanto a mim, parece-me apropriado.

Isaías, como tantas personagens antes dele nestas nossas histórias, não se satisfazia com o papel que, aos nossos olhos humanos, lhe atribuira a natureza.

Isaías era um furão tão especial, uma força da natureza que mais parecia um furacão. E assim mesmo, devido ao seu percurso artístico ficou conhecido. Isaías saiu de casa jovem e ingressou na famosa escola de música - Nacional Dance School em Nova Iorque. Fez, como obrigatório todas as entrevistas, audições e em todos os momentos, os avaliadores reconheceram que havia ali um talento especial que não podia ser desperdiçando.

Esqueçam neste momento programas famosos como o Fame ou Billy Elliot. A história de Isaías superava todas essas e era a prova de que um furão pode furar na vida e tornar-se um furacão dos palcos e das pistas de dança.

Cresceu. Passou os anos com uma pata às costas e tornou-se o mais conhecido dançarino de Nova Iorque e diria até, de todos os Estados Unidos. A velocidade que empregava nos palcos era tanta e tamanha que nenhum dos cabelos dos que assistiam ficavam no lugar.

Aos 23 anos conheceu o grande amor da sua vida, dançarina também, menos volátil, era uma doninha. Com o movimento torna-se muito difícil que o público pudesse assistir pacificamente aos espetáculos. Os mesmos, porém, eram tão bons que ninguém queria faltar.

Ambos dançavam numa casa de dança das mais famosas de Nova Iorque, fazendo digressões em todo o país. Espalhavam ventos e deixavam a sua marca (olfato) em todos os lugares por onde passavam.

A dificuldade era ficar imune à dança. Em todos os sentidos. Dançavam até de manhã e o público vibrava a cada passo. As danças eram sempre aceleradas e faziam daqueles momentos algo especial.

O único senão é que o público ao podia assistir com máscaras de gás e com fatos especiais que lhes permitissem aproveitar e não passar a semana seguinte com o cheiro embrenhado em todos os poros.

Reformaram-se ao fim de 40 anos de carreira, quando o reumático e as artrites puseram fim a uma linda história. Furacão Isaías e Madame Patchouli. Dizem-me que há uma estátua dele no meio de um jardim em Manhattan. Um dia ainda a hei de encontrar.

 

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