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literatura

A minha imagem no escuro

Deixei a luz apagada ao entrar em casa. Não fiz o esforço de ligar o interruptor e fazer com que a corrente passasse para as lâmpadas do candeeiro que me alumiavam a sala. No escuro, não se via nada, além das luzes da tuas dos postes que iluminavam alguns espaços e dos carros que ocasionalmente passavam. Essa noite era pouco movimentada e não sei, até hoje, explicar porque não acendi a luz ao entrar em casa. Talvez fosse medo que alguém me detetasse num espaço que era o meu mas que receava.

O fio de cobre

Voando de monte em monte, sonhava eletricamente em mundos melhores, acreditando nunca ser interrompido no seu feixe de luz e energia. Enterrado nos mais escondidos recantos do mundo, ligando lado a algum outro lado, entregava-se à escuridão esperando não ser encontrado.

Entre a geada e a neve

No Alentejo não há neve. Nevou há muitos anos, a 29 de janeiro de 2006. Toda a gente se lembra desse dia. Eu, especialmente, não me recordo. Estava em Timor nesse dia, fiquei a saber pela televisão e pelo telefone com os meus pais.

Estamos em tempos de inverno, e embora não neve no Alentejo, há dias mais frios que se notam e que, principalmente nos ribeiros e nos vales, caem e deixam um manto branco que parece mas não é. Trata-se do orvalho que durante a noite se acumula e se transforma em gelo.

Ausência

Permitam-me escrever e falar sobre a ausência. Esta semana estive ausente. Pela primeira vez em muito tempo a ausência apoderou-se da minha caneta e não revelou aquilo que me ocupava as ideias.

A ausência pode ser entendida e definida de várias formas, umas mais simples, outras mais complexas. Nos dicionários comuns a ausência é definida como não estar presente, falta de comparência, carência.

O dia em que as pessoas se esqueceram

Era um domingo de manhã. O dia tinha começado às 7 da manhã. Nesse dia, perdido num solarengo mês de maio, um e outro tinham-se levantado perto das 5 da madrugada.
Abriram a porta e puseram uma caixa preta no meio da mesa. Ao lado, dois livros grandes onde estavam nomes e nomes. Os livros tinham listas e essas listas eram nomes de pessoas. Homens, mulheres, todos adultos. Pessoas que iam aparecer. Pessoas que tinham de aparecer nesse dia.

E um bom filho, a casa torna

Com o auxílio de um pincel, ao som de algo sereno criando uma antítese com os batimentos acelerados que saltam do meu peito, misturo cores numa tela; criando uma sensação de refúgio que me permite sonhar acordada.

Fecho os olhos. Segundos, transformam-se em minutos, e volto a abrir, a combinação produzida pelo meu subconsciente, faz-me suspirar: verde, castanho e um azul na borda.

Os cantos da minha boca inclinam-se sem querer e solto outro suspiro involuntário.

Memórias acordadas, mas vividas.

Galveias inaugura Centro de Interpretação José Luís Peixoto

Um centro de interpretação dedicado à vida e obra do escritor José Luís Peixoto vai ser inaugurado em Galveias, no concelho de Ponte de Sor, no próximo dia 21 de janeiro, num investimento superior a 387 mil euros.

De acordo com a agência Lusa, o projeto é desenvolvido pela Junta de Freguesia de Galveias e vai ocupar uma antiga casa senhorial daquela vila, da qual é natural o escritor.

O sal da terra

Será o sal da terra aquele que salga e que da vida ao que cresce, ou por outro lado, será aquele que seca o que quer nascer, pela sua salubridade?

Nas palavras de Mateus e do Padre António Vieira, aqueles que são o sal da terra são os discípulos, aqueles que dão sabor e fertilidade à terra.

Amanhã, o recomeço!

Escrevo estas breves palavras que substanciam pensamentos soltos mas articulados que procuram encontrar caminhos para uma solução ou generalização de um sentimento comum.

Em casa ano, há 12 meses, que se dividem em 52 semanas. Está é a última de 2023. Tanta coisa aconteceu neste ano, desde o nível mais nuclear até ao nível mais global.

A montanha mais alta do mundo

Neste mundo há muitas montanhas, muitos planaltos, vales, longas planícies. Neste mundo podem encontrar-se sítios tão diversos que é impossível não ficarmos impressionados com a magnitude ou a assimetria de todos eles.

Sonhei muitas vezes poder caminhar em todos os lugares do mundo. Nas florestas idílicas da América do Norte, no inverno, com os lagos gelados, árvores sem folhagem.

Nas planícies do Alentejo, que nestes dias são verdes e frias, mas de onde já despontam e crescem as flores que na primavera terão a sua pujança e vivacidade no máximo.

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