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literatura

Dói

Dói - digo-te. Está a doer - aviso-te. Permaneces com o meu coração nas tuas mãos. Apertas com força. Pára, nada. Mas tu não te importas minimamente com isso. Continuas com as mesmas ações; aquelas que são inexistentes. Sei que odeias correr riscos; não poderás abrir uma exceção? Não gostas de caos, organizas tudo. Qual é o meu lugar? Nada fazes. Nada dizes. Tampouco praticas.

Eu não sou capaz de te mentir; tu és? Serias capaz de admitir todas as palavras que tens engolido? Oxalá não sufoques. Como saberei, então?

Esta é a última letra do alfabeto. Terminam-se hoje aqui vinte e muitas semanas, cada uma com uma letra diferente, cada uma com pessoas, lugares, situações tão diversas como os lugares onde foram escritas.

Shirley Jackson

Eis o primeiro parágrafo de We Have Always Lived in the Castle, a última novela (na verdade, o último escrito publicado em vida) de Shirley Jackson:

Whiskey com raspas de limão

Dançava como uma estrela de cinema. Fazia sapateado de forma tal que parecia envergonhar o mais profissional dos profissionais. Sabia, sem dúvida, o que fazia. E sabia fazer essas coisas todas. Era um profissional exímio das artes e da arte. O seu sonho era participar, organizar e ser a grande estrela num espetáculo a solina maior casa de espetáculos da Italiândia. A ideia estava lá e as coisas pareciam encaminhar-se para dar certo.

Voltar a viver

Encarcerado no campo de trigo já abandonado e agora infértil, via o outro lado do pântano que era cheio de alimento e fertilidade.

Para lá chegar precisaria atravessar esse mesmo pântano, esse terreno cheio de animais monstruosos que vivem principalmente na nossa cabeça. As dores das mortíferas víboras que na pele deixam marca, ignoram o suave sabor do mel das abelhas que morrem ao picar.

Grito!

Sinto revolta. Estou revoltada. Sai dentro de mim. Vivo contigo há dois anos. Dois anos. Estou a chegar ao limite. Vou rebentar. Ar. Preciso de ar. Continuas a sufocar-me. Já não tenho ninguém para me salvar. Perdi-o. Perdi-o como perco vida a cada dia que passa. Há lágrimas no chão. Lágrimas que refletem o meu rosto. Esperança. O que é isso? Devia saber melhor o que significa. Mas não sei. Suplico. Suplico. E volto a suplicar. Não passam de meras súplicas. Estou presa. É um ciclo vicioso. Sento-me no chão. Está frio. Afinal ainda sinto. Sinto? O tempo não para. Estou assustada.

Verne – O Verme Do Verbo

Sobrevivi. Eu, hoje, sobrevivi. Não sorri. Não me ri. Não brinquei. Não me senti feliz. Nem me senti triste. Muito menos, vivi. Eu apenas sobrevivi; e tudo bem com isso. E se tudo o que eu fiz hoje foi aguentar-me até chegar a casa, abrir a porta do meu quarto e atirar-me para o colchão da cama, já foi alguma coisa; fiz algo, e estou orgulhosa de mim mesma.

Ulisses

Passaram-se tantos anos desde isto me aconteceu. Hoje ainda me lembro bem da noite. Ainda me lembro bem de ti, meu amigo! Foi numa casa de cada de fados em Lisboa. Brincaste comigo e disseste-me que a cidade tinha o teu nome! Ter-se-ia chamado Olissipo por tua causa, que terias lá estado há muitos anos, na tua epopeia e eu, sim está bem - Tu e todos os outros que estão aqui neste restaurante e já beberam duas cervejas. Aliás, para me embebedar precisarias muito mais do que isso... mas se te chamas Ulisses, até te dou um desconto. Até me disse, olha...

“A Maçonaria no Alto Alentejo” vê a luz do dia este sábado

Há um livro que promete desvendar alguns mistérios e contar algumas histórias: chama-se “A Maçonaria no Alto Alentejo 1821-1936”, da autoria do professor António Ventura, e será apresentado este sábado, no Alto Alentejo, em Portalegre, terra natal do autor.

No Centro de Congressos da Câmara de Portalegre, a apresentação da obra será feita por Maria de Fátima Nunes, professora catedrática da Universidade de Évora, decorre a partir das 16h30.

Na iniciativa estará também a Escola de Artes do Norte Alentejano e que tocará algumas músicas.

Terras sem tempo

O termómetro marcava 43 graus centígrados, uma temperatura que já se tornara normal por aqueles lados. Situada no fundo de um córrego, havia uma casa pequena, pintada de branco e com paredes tão grossas que não deixavam que, durante o dia, esse calor que se fazia sentir entrasse lá dentro. Durante a noite, porém, quando o Sol fugia, o calor escondia-se naquela casa. Lá dentro, os 43 graus do calor ficavam escondidos, até que o escuro e o frio da noite se fossem embora, aos primeiros raios de Sol.

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