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literatura

O conto de um sapato que fugiu...

O conto de um sapato

que fugiu

do

dono

a sete

pés

e perdeu o

irmão gémeo

Apanha da azeitona

Costuma ser em Novembro

mas tudo é uma questão de tempo.

Tudo tem o seu tempo;

se ainda assim fores com pressa

e provares uma por teimosia,

o paladar chamar-te-á a atenção:

— Anda daí que ainda não é dia!

 

Ah! sempre que chega o dia

— Que preguiça, preguicite, que soneira!

só te apetece ficar a observar

os homens e as mulheres de varapaus nas mãos

sovando a pobre da oliveira.

 

Os oleados no chão

são lenços que amparam as lágrimas;

gotas

       que

A concentração

Há demasiadas distrações no nosso dia e na nossa vida. As coisas acontecem e repetem-se distraindo-nos do essencial. Esse mesmo que nos não sabemos qual é nem o que é. Há coisas e momentos que se cruzam connosco e que não conseguimos decifrar. A concentração é fundamental para chegar ao momento em que o resultado do movimento chega ao final sem ter intermédios.

Reencontro

Conhecer lugares

conquistar o mundo

ser dono de tudo

descansar deitado

para sempre

— ser nada.

 

quando te olhei

estavas sentado — esperando —

e nesse gerúndio,

do teu lugar que é meu,

apenas me resta a chaminé

que perfumou para sempre

as ruas da minha infância.

 

Nada pode tirar

o que a vida deu.

 

Pode-se ser feliz

onde nunca se foi.

 

Conhecer lugares, conhecer lugares e mais lugares!

 

A hesitação

Não sei bem como começar este texto. Há várias possibilidades de se iniciar alguma coisa e cada uma delas pode ter desfechos diferentes. Não sei se devo iniciar um texto definido e cujo tema já está definido, ou se devo prosseguir uma linha de pensamento que não está ainda bem definida, mas que me permitirá seguir por caminhos abertos. Não sei o que fazer. A dúvida e a escolha acompanham qualquer processo criativo ou decisões práticas diárias.

O barulho

É ensurdecedor. Demasiado grande o ruído que se ouve daqui e de além. Não se consegue ouvir nada mais além de um burburinho que é algo que cresce e se torna insuportável.

O barulho faz parte da nossa vida. Na morte certamente já não o ouviremos mas ele continua ao nosso redor. Até na sepultura o barulho incomoda os cemitérios. Não que alguém se queixe, mas há um ruído que dura e perdura em cada uma das entradas e saídas de uma casa sem vida.

A vergonha

Começo a escrever esta semana com algum receio, alguma insegurança em colocar as palavras juntas e construir frases que não sei se farão sentido algum. Se assim for, terei vergonha de escrever as linhas que se seguem.

Sendo muito semelhante a um camaleão, a vergonha pode assumir diferentes formas e aproximar-se daquilo que mais receamos.

O perfeccionismo

Aquilo que é perfeito é desprovido de erro. Não há nada na perfeição que seja uma falha ou que tenha uma irregularidade. A perfeição é o resultado sumo e final da obra que se constrói.

Uma construção que é perfeita é-o a nível tal que ninguém consegue detetar qualquer tipo de desvio ao planeado e o plano que lhe serviu de base é já de si perfeito.

A perfeição de um jogo de futebol acontece quando uma equipa não falha em nenhum dos passes e cuja estratégia é infalível, possibilitando uma vitória pelo maior número possível de golos.

O pânico

A noite caía devagar, marcando a transição entre o claro e o escuro. O coração de todos e de cada um batia de forma forte e acelerada. Eram muitos os corações que se emparelhavam e desenfreado o ritmo que, sendo ligado em máquinas, faria os motores do mais forte camião funcionar sem problema algum. Mas havia razão para tal. Na noite que se instalava devagar, a velocidade dos acontecimentos criava o pânico e os intervenientes sentiam, mais profunda que ninguém, a carga de ansiedade que a realidade trazia consigo.

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