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literatura

O Leão que só gostava da cor verde

Era uma vez um leão, grande e forte, que rugia mais alto que ninguém é que dominava a selva onde vivia. Este leão, não era o único. Vivia harmoniosamente entre tigres, águias, hienas e dragões. A harmonia entre eles era tal que todos os fins de semana partilhavam jogos de futebol. Ninguém se chateava. Jogavam intensamente mas dentro e fora de campo era um fair-play impressionante.

Como do outro lado do espelho, se rendeu ao seu complexo destino de inventor de pesadelos.

O quarto é o do meu consultório no hospital. Estou diante de um distinto cavalheiro, fato e gravata, cabelos e bigodes brancos, óculos redondos erguidos sobre a testa, na mão um cachimbo e um maço de papéis. Ele senta-se no meu Poäng.

(Ele) - Gosto deste lugar, com os gerânios na janela, e a poltrona é muito confortável. Sei que podem surgir muitas ideias, como as que publica neste jornal português. Viajei muito, li alguns livros daquele grande português entusiasta dos sonhos que escreveu:

O reencontro

Todos os dias à mesma hora, durante anos, encontravam-se às escondidas num beco insuspeito. Viviam ambas na cidade mais populosa do mundo e sempre ali tinham vivido.

Durante todos esses anos em que se encontravam, pontualmente, à mesma hora naquele lugar, sabiam que a vida é etérea e tantas vezes incerta e fugaz. Essa consciência levava-os a manterem esse ritual. O encontro diário era importante. Nunca durava mais do que 15 a 20 minutos, mas era intenso, de partilha, de segredo.

O Grande Lago

Neste lago de infinitas polegadas

peço explicações a todas as minhas

reflexões.

 

Foi por escutá-lo que entendi

as suas ondas ténues falantes,

formadas de gota em gota,

tal como humanos se formam

de palavra em palavra:

 

— Somos um espelho;

reflectimos nos outros

o que reflectem em nós.

 

 

O raspelho

Ninguém o conhecia. Ninguém sabia quem era. De facto, é complicado começar uma fábula com o pronome indefinido ninguém. Este, por muita pena minha e tristeza, alguma, começava assim. O raspelho nunca tinha sido ninguém importante, nunca tinha feito um feito que aparecesse na televisão… o raspelho era uma pessoa discreta, que não gostava de ser capa de revista, alguém que não pensava nunca ser parte de algo maior. Era o raspelho que passava os dias no meio da terra e da palha e isso bastava-lhe.

A formiga e a linha do comboio

Era uma vez uma formiga que se chamava Miga. Era uma formiga forte e trabalhadora que não parava. Todos os dias trabalha, de manhã à noite. Mal o sol nascia já a Formiga Miga estava a trabalhar. O Sol punha-se e a Formiga Miga ainda estava a trabalhar. Era incansável.

Miga trabalhava na construção. Durante muitos anos tinha trabalhado na agricultura mas de um dia para o outro passou a trabalhar na construção, mas sempre ao ar livre. Miga trabalhava na construção dos caminhos de ferro do Alentejo.

Liberdade

Se pudesses escolher

que cor darias à liberdade?

 

Tens a certeza?

Mesmo depois de te ensinarem que

vermelhos são os campos,

verdes são os lírios e

azul é a tempestade?

 

A tua liberdade

é do tamanho do livre-arbítrio

multiplicado pela vontade.

 

Nunca uma coisa tão real

foi tão infinita

e nunca o infinito

foi tão limitado

para se tornar essencial.

 

Anda, vem brindar connosco;

— quem é livre de festejar

toma a sua liberdade por gosto!

Cartas Soror Mariana traduzidas para espanhol

As famosas “Cartas Portuguesas de Mariana Alcoforado” surgem agora com uma nova edição em Espanha pela mão do historiador e museólogo português José António Falcão, responsável pela introdução.

Com tradução de María Jesús Fernández e edição da La Umbría y la Solana, este clássico da literatura nascido com origem em Beja, tem nesta edição  mais um contributo para a internacionalização de uma obra singular, com epicentro em Beja, Alentejo.

A Fraca forte

Condenada a 15 anos de prisão, Fraca já passara 12 anos nesse lugar imundo, que seriam os piores da sua vida. Iria sair em breve, em liberdade condicional. Nuca lhe passou pela cabeça poder acabar neste lugar onde cada dia era um desafio à sobrevivência. A prisão onde foi parar era a pior de todas. Conhecida amplamente por ser uma prisão de alta-segurança, agregava em aí toda a pior espécie de animais criminosos.

O provérbio Talvez

Se não existisse o “às vezes”

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