18 Abril 2020      17:15

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Covid-19: afinal qual é o plano para Portugal?

Começo a ter a forte sensação que não existem quaisquer Planos para se ultrapassar o COVID 19, muito menos para dar uma resposta minimalista sobre quais os passos que se seguem! Não existem quaisquer Planos para o dia em que se vai ter que retomar a atividade económica. Cada dia que passa, parece que tudo fica igual. Os dados apresentados são estatísticos, reportados com a frieza dos números que suportam uma evolução lenta de uma crise duradoura. Sem fim à vista!

Tudo é apresentado como se tudo estive a correr lindamente. Um país sem falhas, mas que não sabe para onde vai. Um País sem rumo!

Percebo perfeitamente que o confinamento é necessário. É a forma mais segura para se ultrapassar a pandemia. Mas também já existem elementos suficientes para nos ajudar a preparar o futuro.  A sensação que dá é que andamos de Estado de Emergência em Estado de Emergência. Renovam-se mais 15 dias de Estado de Emergência, mas não sabemos para onde vamos…

O Presidente da República e o Primeiro-Ministro parecem os maestros de uma orquestra que toca música improvisada e sem fim.

Repetem-se as diárias conferências de imprensa. Fico impressionado com a capacidade que as principais protagonistas têm em apresentar informações adicionais, úteis. O Primeiro-ministro, António Costa, lá vai fazendo a sua torné por todos programas de televisão e rádio (incluindo os programas de entretimento da Cristina Ferreira e do Manuel Goucha) repetindo uma bondade infinita que quase nos comove. O desaparecido nos incêndios de 2017, agora parece ser o senhor omnipresente. Depois, temos um Presidente da República que mais parece uma caixa de ressonância do Governo, sem capacidade própria. As oposições, quase que assumem um mea culpa pela crise que atravessamos. Nem sei o que diga!

E respostas para quem espera reabrir o seu espaço comercial? Nada de nada. Nem espectativas! E as respostas para quem está em casa? E para os desempregados?

Na realidade não há plano nenhum. Na realidade ninguém sabe ao certo qual o passo que se segue. Se sabem, então exige-se que o digam. Exige-se o máximo de transparência e respeito.

Não pode haver segredos em algo tão sério. Existem medidas que nos confundem, por vezes parece que não fazem sentido.

Já está decidido que todo o Ensino Básico não vai ter aulas presenciais. Então quem vai ficar com as crianças? Significa que os pais não vão trabalhar até ao final do ano letivo? Será que o ano letivo não poderia ser adiado para Agosto? Não fará mais sentido anteciparmos as férias para este período de reclusão obrigatória? Parece-me que todos compreenderíamos decisões difíceis, isto porque este é um ano especialmente diferente e muito mais difícil. No meio da confusão, parece-nos que nos querem fazer crer que as coisas não vão assim tão mal.

As medidas e as restrições têm que ser repartidas por todos. Não pode haver portugueses de primeira e portugueses de segunda. As dores têm que ser iguais para quem seja do setor público e do setor privado. Para patrões e empregados. Iguais para todos, sem excepção.

Expliquem-me porque é que o AKI, o Bricomarché e outras lojas do mesmo género estão abertas e outras comerciais não estão? Será que uma pequena sapataria, uma pequena boutique, até mesmo um pequeno café, não consegue cumprir as mesmas regras de segurança que uma grande superfície? É claro que podem.

Até poderia compreender que numa fase inicial tivessem que encerrar quase tudo, exceto aquilo que é mesmo essencial para vivermos. Mas numa fase mais adiantada (que é a que nos encontramos), com muitas mais exigências para funcionar, poderíamos estar a libertar a estrangulada atividade económica. É claro! Limitando o número de pessoas a entrar nos espaços comerciais, usando máscara, talvez luvas, usando desinfetante à entrada e à saída, mas começar a abrir aos poucos. Digam o que é preciso fazer, porque toda a gente está disposta a cumprir.

De outra forma, o Estado terá que indemnizar toda a gente que mandou para casa. E torna-se mais grave, porque ninguém percebeu o Plano. Ninguém sabe qual o passo que se segue.

Custa-me a acreditar que, com tanta inteligência instalada neste Portugal, não haja um Plano bem preparado para o curto e médio prazo.

Verdade seja dita, se não houver vacina, se não houver Plano, significa que podemos ficar assim ad aeternum, a empobrecer triste e lentamente.

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