13 Julho 2014      01:00

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Novos desafios da natalidade

Recentemente voltou a falar-se do papel da mulher na sociedade.

Papel, isso mesmo.

Como se a mulher e o homem tivessem já personagens pré-destinados.

Surgem estudos para todos os gostos. Uns afirmam que a maternidade perturba a eficiência laboral, outros por seu lado afirmam que a redobram.
O que é certo é que na sociedade actual e por mais incrível que pareça ainda existem empresas com critérios de selecção completamente discriminatórios para com as mulheres grávidas ou com filhos recém-nascidos.

Muitas mulheres são mesmo obrigadas a esconder a sua intenção de constituir família por forma a conseguir um emprego.
Em entrevistas ainda se pergunta se a candidata está grávida ou se pretende engravidar, deixando a competência para segundo plano.
No polo oposto temos empresas que dão todas as condições às suas colaboradoras grávidas ou com filhos recém-nascidos para que estas possam complementar o trabalho com a maternidade e a vida familiar.

Temos empresas que fornecem serviços educacionais aos filhos dos colaboradores por forma a evitar que estes venham a ter encargos elevadíssimos com creches.
Mais uma vez estamos perante situações opostas em que quase somos obrigados a decidir entre o melhor de dois mundos. O mundo do salve-se quem puder e o mundo do incentivo a natalidade e a inserção da mulher no mercado de trabalho.

A legislação laboral tem dado alguns passos importantes nesta matéria prevendo o gozo de parte da licença pelo pai e proibindo a discriminação em entrevistas de emprego. Mas mais uma vez corre se o risco de estarmos perante letra morta não por culpa do legislador mas sim pela mentalidade empresarial em determinados sectores.

Creio que nesta como noutras áreas terá que se apostar na interacção com os gestores e administradores por forma a que estes compreendam os novos desafios do mercado laboral.
Portugal é hoje um dos países europeus onde nascem menos crianças por ano pelo que algo tem mesmo de mudar.

Não podemos ter por um lado o legislador a prever medidas anti-discriminatórias no acesso as profissões e por outro recursos humanos de empresas a desincentivar a natalidade.
A situação económica do país não é a mais favorável para a constituição ou aumento do núcleo familiar pelo que, para alterar este cenário terá que existir uma actuação interdisciplinar.
Actuação que incluiria as empresas na parte da flexibilização do horários. As autarquias que tal como já acontece nalguma pontos do país oferecem cabazes ou quantias monetárias a casais com o primeiro filho ou com famílias numerosas. As creches e jardins de infância que possam porventura praticar horários mais alargados ou facilitar o transporte das crianças a casa.

Pequenos gestos formam grandes empresas e melhores colaboradores. Porque não arriscar?

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