25 Janeiro 2020      12:21

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Esse dinheiro é nosso

Saíram esta semana várias notícias que dão conta do completo desregulamento do mundo no que toca à Economia mundial. O desregulamento, a corrupção, a ganância, facilmente leva ao surgimento de injustiças sociais atrozes e à abertura de um fosso gigantesco entre mais ricos e os outros.

Se ainda dúvidas houvesse, já “Pepe” Mujica – ex-presidente do Uruguai o tinha alertado tantas vezes (ver ligação no final): disse Pepe que “Inventamos uma montanha de consumos supérfluos. Compra-se e descarta-se. Mas o que se gasta é o tempo de vida. Quando compro algo, ou você compra, não pagamos com dinheiro, pagamos com o tempo de vida que tivemos que gastar para ter aquele dinheiro. Mas tem um detalhe: tudo se compra, menos a vida. A vida gasta-se. E é lamentável desperdiçar a vida para perder a liberdade.”

Recentemente, Sanna Marin, de 34 anos e eleita primeira-ministra da Finlândia em dezembro passado revelou que acredita "que as pessoas merecem passar mais tempo com suas famílias, entes queridos, hobbies e outros aspetos da vida, como a cultura".

E se pensarmos, qual a lógica de nos esgotarmos dia após dia a trabalhar? Sobreviver? Vale rá a pena afastar-nos tanto daquilo que nos é essencial em Humanos: amor, solidariedade, a companhia do outro? O que se recebe em troca compensa? O salário compensa? O viver para pagar isto, aquilo o outro compensa?

Pois veja, esta semana foi tornado público o relatório anual da OXFAM, uma ONG, e que mostra que os 22 homens mais ricos do mundo detêm mais riqueza do que todas as mulheres em África juntas. Que tão somente dois mil bilionários têm mais riqueza do que 4,6 mil milhões de pessoas, 60% da população mundial.

A ONG internacional com sede no Canadá afirma mesmo que “a desigualdade económica e de género está fora de controlo” e mostrou este relatório em Davos, na Suíça, e onde decorreu o Fórum Económico Mundial.

O relatório da OXFAM diz que “o grande fosso entre ricos e pobres baseia-se num sistema económico sexista e falhado, que valoriza mais a riqueza de um grupo de poucos privilegiados, na sua maioria homens, do que vários milhões de horas dedicadas ao trabalho mais essencial - o de cuidador não remunerado ou mal pago, cuidados prestados principalmente por mulheres e raparigas em todo o mundo.” E acrescenta que a desigualdade global está em níveis recordes, tendo o número de bilionários duplicado na última década.

Como? Basta pensar um pouco: quem ganhou com as crises recentes? Como é possível um produto custar, digamos 150€, estar em promoção e custar 100€ e ainda assim quem o faz ter lucro? Imagine quanto não ganhou quando não tinha desconto. Agora imagina anos assim, com milhões de pessoas a consumir assim e serem persistentemente incentivadas a consumir, o essencial, o não essencial, e até o que nos fazem crer essencial, não-sendo. Porquê? Ganância!

O Banco Mundial diz que quase metade da população no mundo sobrevive apenas com 4,9 euros por dia e a redução da pobreza tem vindo a desacelerar 2013 e o “Tempo de Cuidar”, o relatório da OXFAM, diz que os governos estão a cobrar poucos impostos aos mais ricos e às grandes empresas, não levando a sério e com medidas reais a redução da pobreza e das desigualdades.

A OXFAM afirma que os Governos devem construir uma economia humana, mais feminista, que valorize o que realmente importa para a sociedade e não só a busca incessante do lucro e da riqueza.

Na Índia, noticiou a BBC, uma mãe de 31 anos teve de vender o próprio cabelo para conseguir comprar três pacotes de arroz para os filhos.

Viúva, após o suicídio do marido, ficaram as crianças para cuidar e alimentar e a indiana ficou ainda com várias dívidas para pagar. Não tendo mais recursos vendeu o cabelo para alimentar os filhos, recebendo em troca 150 rupias, perto de 1,90 euros, para poder comprar três pacotes de arroz alimentar os filhos.

Mas há no mundo quem tenha, quem possa, e ajude quem precise e esta mãe recebeu de um dono de uma empresa de computação gráfica 120 mil rupias, aproximadamente 1.500 euros para fazer face às dificuldades.

O sistema económico atual, com base no “usa e deita fora”, no descartável, no lucro fácil, falhou! Está à vista! A ficção financeira ruiu. A ganância de uns poucos levou à ruína de milhões e, se tem dúvidas, veja o caso de Isabel dos Santos.

Ninguém viu, ninguém sabia. Agora, que caiu em desgraça, ninguém a “conhece”. Mas durante quantos anos as entidades competentes, com o Banco de Portugal à cabeça, permitiram que tudo fosse feito nas suas barbas. Quantos Berardos, quantos Salgados, quantos BES, quantas Isabéis mais vamos ter que aturar até se perceber que não há nada de errado em lutar pela justiça? Em lutar por aquilo que é de todos, que é nosso? Em lutar, todos os dias se necessário, pela Liberdade, pela Igualdade, pela Fraternidade?

A imagem não é um acaso. É uma máscara do pintor espanhol Dalí, usada na famosa série “Casa de Papel” e é um símbolo de uma revolução social.

 

Vídeo aqui.

 

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