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Giuseppe Steffenino

Uma carta nunca escrita

Não há muito tempo sobre o qual eu ainda tenha controlo. Muito se fala, descaradamente, das minhas funções corporais, que são as de todos os idosos doentes, mesmo que me chamem de “sua santidade”. Toda a coisa incerta que se refere a mim, tudo que se refere ao meu amanhã, ora é afirmado, ora é negado.

Inteligência artificial na prática atual da medicina contemporânea

Um tema difícil porque é redundante na informação em massa; complexo, amplo nas suas aplicações e em rápida evolução. Eu acrescentaria que não me considero particularmente especialista na área. Contudo, penso que podemos discutir alguns aspetos da prática atual em termos simples.

Como é que o médico entende quais são os problemas de saúde do paciente e quais podem ser as causas, consequências e soluções?

Muito simples

Muito simples. Eu levanto minha mão direita. Se vejo alguém como eu levantando a mão direita, significa que a pessoa do espelho está de volta. Na verdade, durante alguns dias senti que estava sendo observado quando verificava a limpeza dos dentes ou aparava a barba. Eu não tinha notado. Mas esta manhã eu fiz a pergunta:

- Com que então estás de volta?

- Eu nunca saí, tu é que estavas distraído. Porém, vejo que este ano passou a voar e tua barba está completamente branca.

Somos a matéria com da qual os sonhos são feitos, e nossa vidinha é contida num sonho

Num estranho e muito previdente filme, de 1991, William Hurt e Solveig Dommartin aventuram-se e ficam completamente dependentes de um aparelho (uma espécie de visor), construído por um cientista genial (Max von Sydow), e que permite rever as imagens dos seus sonhos.

Escrever é pensar

Assim que levantamos o olhar do nosso próprio umbigo e das inúmeras armadilhas de entretenimento e comunicação social que nos são continuamente oferecidas, algo acontece. Sentimos que somos testemunhas conscientes, mais do que no passado recente, das atrocidades que milhões de seres humanos na terra estão a cometer e planeiam cometer em detrimento de outros seres humanos. “Como inútil taça cheia, que ninguém ergue da mesa, transborda de dor alheia   meu coração sem tristeza”, é assim que muitas vezes me sinto.

Quantos eram os reis magos? 3, 4, 5?

Os Magos sempre me fascinaram. Encontramos muito pouco sobre eles nas Escrituras Sagradas canónicas: o Evangelho de Mateus apenas menciona que alguns Magos (μάγοι) vieram a Jerusalém, vindos do leste, guiados por uma estrela e uma profecia, em busca do menino-Messias e que encontraram Herodes. Quando, quantos eram e quais eram os seus nomes, ele não diz, nem se eram reis. Muitos estudiosos bíblicos contemporâneos acreditam que não é uma crónica, mas uma "construção" literária simbólica que foi projetada para fornecer um ensinamento.

A pasta de dente saiu do tubo

Depois de escrever a peça sobre Eva Arnold, li um artigo de Vera Mantengoli, em La Nuova Venezia, 4/4/2023.

60 anos de curiosidade insaciável através de uma Zeiss Planar

Por Giuseppe Steffenino

Eve Cohen (Arnold) tocou o primeiro Rollei aos 34 anos, fascinada pelo processo de revelação e impressão de negativos numa empresa de Nova York onde encontrou trabalho em 1943. Matriculou-se num curso de fotografia na New School for Social Research – que desde 1933 acolheu intelectuais europeus, muitos judeus, fugindo da Itália fascista, da Espanha de Franco e depois da Alemanha nazi – um santuário da cultura progressista americana, apoiado pela Fundação Rockefeller.

Acender ou apagar velas?

Interessam-me particularmente as formas de crença e comer dos povos da terra, por isso intrigam-me as festas e as comidas tradicionais.

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