11 Novembro 2019      12:35

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Não há água suficiente para a produção de arroz em Alcácer do Sal

Vale do Gaio e Pego do Altar estão novamente com um nível de armazenamento de água demasiado baixo para poderem fornecer de água as plantações de arroz em Alcácer do Sal, o que está a deixar os produtores de arroz da região alarmados, apesar dos transvases garantidos pela barragem de Alqueva, que estes se queixam de ter de pagar.

Para já está garantida ligação de Alqueva a Vale do Gaio, sendo que a ligação de recarga ao Pego do Altar não está ainda concluída. Apesar das garantias de água vinda do Alqueva, o problema que se coloca agora aos produtores de arroz é o preço que terão de pagar por estas recargas.

José Emídio, agricultor da região, declarou ao Observador que há dificuldades na rega todos os anos e que já houve limites na quantidade de água para regar. "Se tivermos o azar de ultrapassar esses limites, [a campanha] termina por ali, porque não há água suficiente”, reconhece o produtor que acrescenta que os efeitos da seca estão a ser minimizados com os transvases feitos do Alqueva para Vale de Gaio, porém o custo da água é mais caro, o que afeta a produção de arroz.

“Em termos de preços, a água proveniente do Alqueva pode ser mais cara 12 a 13 cêntimos por metro cúbico”, lembra, salientando que este agravamento do preço da água, que pode significar um encargo adicional de cerca de 1.000 euros numa campanha, constitui “um valor significativo para os agricultores, que não conseguem vender o arroz a mais do que 60 cêntimos”, regista o Observador.

Para o coordenador da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sado (ARBVS), Gonçalo Faria, a ligação para recargas da barragem do Pego do Altar é uma prioridade para os agricultores da região.

“É preciso finalizar ou concretizar a ligação do Alqueva ao Pego do Altar, que, pelo sabemos, é um projeto do Programa de Desenvolvimento Regional 20/30”, afirma Gonçalo Faria, sublinhando que a ARBVS também já tem duas candidaturas aprovadas, uma de 16 milhões de euros e outra de nove milhões, para a reabilitar os canais de rega e melhorar a distribuição de água a centenas de produtores agrícolas.

A Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal (AADS) considera a situação atual nas barragens do Pego do Altar e Vale de Gaio “muito grave, porque as reservas de água estão muito em baixo”, e defende que a água disponível no Alqueva possa ser utilizada em benefício dos agricultores, tendo em conta as necessidades da cultura do arroz.

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