16 Março 2016      17:39

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A ECONOMIA DO FUTEBOL

"ECONOMICAMENTE FALANDO"

Começo por dar uma informação de contextualização: escrevo esta crónica na manhã do dia 10 de março.

Continuo com uma chamada de atenção: apesar de fazer referência a clubes de futebol, a presente crónica não tem como objetivo qualquer caráter clubista.

Agora a crónica propriamente dita.

No final da semana passada o Benfica venceu o dérbi contra o Sporting. A SAD do Benfica também derrotou a sua congénere sportinguista: depois de um aumento de cerca de 8,7% na cotação das ações, no primeiro dia de transações após o dérbi, a SAD benfiquista ultrapassou também, em capitalização bolsista (valor total das ações), a SAD verde e branca. Após a vitória na Rússia, frente ao Zenit, novo aumento da cotação das ações (à hora a que escrevo, esse aumento ultrapassa os 10%). Tudo isto também ajudado pelos resultados financeiros divulgados ao longo da semana passada.

Até aqui nada de muito extraordinário. Tal como qualquer outra empresa, o valor de uma SAD está relacionado com os resultados da empresa. Neste caso os resultados financeiros e os desportivos. Que até fazem com que a SAD do Benfica seja a empresa, de entre todas as cotadas na bolsa, com maior valorização a nível nacional (seguem-se a Jerónimo Martins e a Cimpor).

Então se é tudo normal, porquê esta crónica? Porque ela vem a propósito de um dos últimos artigos científicos que escrevi nos últimos tempos. Na realidade, a análise que fiz foi sobre o Stoxx Football Index, um índice que incorpora todos os clubes europeus cotados em bolsa (atualmente 22). O objetivo da nossa análise foi verificar se o comportamento das ações dos clubes de futebol se comporta como a teoria financeira indica: de forma aleatória, sem capacidade de previsão. No fundo, se o comportamento é o que se tem verificado ultimamente com as ações do Benfica (boas notícias que fazem aumentar o valor das ações, ao mesmo tempo que más notícias terão o efeito contrário – o que tem acontecido com as ações dos rivais) ou se existem outras questões por trás que conduzam à valorização das ações.

Sem surpresa (pelo menos para mim), os resultados mostram que as ações não se comportam de forma “racional” e isto pode estar relacionado com a paixão clubística. Na realidade, uma parte das ações (provavelmente significativa) é detida por adeptos dos clubes, que não olham para as mesmas com o objetivo de ter lucro. Isso justifica, por exemplo, que em muitos dias as ações não sofram qualquer tipo de variação no seu preço (há ações do Stoxx Football Index com mais de 80% de dias sem qualquer movimento!).

Porque é que isto é importante? Para quem seja investidor e tenha como objetivo obter ganhos. Sendo imprevisíveis os resultados dos clubes de futebol, que fazem com que também seja difícil prever ganhos no mercado bolsista, a verdade é que este é um mercado que até pode ser apetecível. Com muito menos transações de ações do que outras empresas, é certo, (aquilo a que os economistas chamam de liquidez), mas com um potencial interessante. E os turcos que o digam: as ações do Besiktas já duplicaram de valor este ano e as do Trabzonspor estão quase a chegar aos 50% de valorização.

 

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