17 Janeiro 2018      14:15

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TERRA IMENSA, ÁGUA A SUL

O Alentejo interior sempre foi sinónimo de terra sofrida, secura e calor, tal como exprimiu o poeta João de Vasconcellos e Sá:

“Raia o sol!
E em dois minutos
os prados ficam enxutos;
toda a ribeira secou!
E morrem de sede as crias
no lugar onde há dois dias
a mãe delas se afogou.”

Efetivamente, o clima figura entre os fatores naturais mais limitantes da região, que ao longo de séculos, devido à persistente carência de água, condiciona a paisagem agrária alentejana. Porém, a mãe-d'água Alqueva transformou essa realidade e, indiscutivelmente, a região ganhou outra dinâmica com o projeto de fins múltiplos do Alqueva.

Atualmente, a garantia de água proporcionada pelo Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) permite beneficiar uma área total que ascende a 120 mil hectares. O que, a traço largo, corresponde a aproximadamente 3,8% da região Alentejo, isto é 1,3% do território nacional.

Além disso, o EFMA permite o reforço de abastecimento a cerca de 200 mil habitantes o que corresponde aproximadamente a 25,75% do total da população residente na região Alentejo, bem como, pode, ainda, contribuir para o equivalente a sensivelmente 4% da totalidade da energia hidroeléctrica gerada, atualmente, em Portugal.

Perante a grandeza dos números e pela reserva de água que o EFMA representa, facilmente se reconhece a importância e a relevância deste Projecto no contexto das alterações climáticas. A este respeito, é bom lembrar que em Portugal os últimos três anos estão no topo em termos de recordes de temperatura, desde que há registos. O que faz jus à tendência observada, quase constante, em termos de aquecimento global.

Em virtude deste cenário, é de enaltecer a decisão do governo PS de ampliar um Projecto dado por encerrado em 2015 pelo governo PSD/CDS.

Por conseguinte, Alqueva irá regar mais 50 mil hectares e levar água para abastecimento público a mais cinco concelhos alentejanos no distrito de Beja, designadamente os de Castro Verde, Almodôvar e Ourique; e parte dos concelhos de Odemira e Mértola. A ampliação do Projecto avança já a partir de 2018 e as obras deverão estar concluídas até 2022.

Como é evidente, há muito, que a realidade de Alqueva foi transformada num desafio proporcional à dimensão da região e o sonho ousado de Alqueva ainda não terminou, como se vê, ainda, tem margem para crescer.

Posto isto, termino com uma frase de delapidar alentejana “cá em baixo é que ela se bebe!”, mas para isso é preciso que ela caia, acrescento eu. Aliás, em terra com tão pouca chuva a que vem de enxurrada tem de ser guardada para mais tarde ser usada.

Imagem de capa da GeoAlentejo.com

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