23 Agosto 2016      12:19

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O BOMBEIRO ALENTEJANO QUE COMBATEU NA MADEIRA

Após a sempre terrível experiência dos fogos no país e apesar de ainda lavrarem alguns pelo país, muitos começam já a fazer o balanço de um ano que não foi fácil. Fomos conhecer Idalecio Ferreira Montemor, um dos 4 bombeiros alentejanos que se juntaram aos bombeiros na Madeira para combater um dos mais difíceis fogos de que há memória. Tem 37 anos, é solteiro e tem um filho. Nasceu na Amareleja e é Bombeiro Voluntário desde 2005, inserido atualmente na (EIP) Equipa de Intervenção Permanente, em Reguegos de Monsaraz, Évora.

E aproveitámos também para conversar com José Calixto, Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Reguengos de Monsaraz. A conversa com ambos revela muita modéstia e sentido de dever, sem exacerbações. Mas o brilho nos olhos está lá.

Tribuna Alentejo: Tinha ligações familiares com bombeiros ou  foi o primeiro bombeiro da sua família? E que gratificação tem alguém que é bombeiro?

Idalecio Montemor: Sou o primeiro bombeiro da minha família e abracei esta causa pelo intuito de ajuda ao próximo. A maior gratificação pode ser um simples obrigado e o respeito pela instituição.

 

Tribuna Alentejo: A vida de bombeiro é feita de experiências rotineiras mas que também podem ser extenuantes. Guarda memória de alguma experiência assim?

Idalecio Montemor: Em 2008, uma viatura da corporação de Reguengos (VFCI) foi integrada na coluna nacional de combate a incêndios tendo em 4 dias percorrido 1200 Kms no combate ao grande incêndio em Viseu, ultrapassando as 24 horas em combate.

O dia normal de um bombeiro é muito incerto, sendo que a intensidade das chamadas ao socorro é bastante variável. Tanto podemos estar no quartel apenas de prevenção, como podemos ser chamados a intervir o dia todo.

 

Tribuna Alentejo: Qual foi o momento mais intenso do seu percurso como bombeiro?

Idalecio Montemor: O dia mais marcante até hoje negativamente, foi o acidente com os elementos da Guarda Nacional Republicana, pelo falecimento dos mesmos, na ligação de amizade que mantinhamos. Pela positiva, destaco a entrega profissional e formativa a que com grande determinação me entrego, de forma a uma profícua e rápida ascensão de carreia.

Tribuna Alentejo: E como foi estar a combater as chamas na Madeira? Como descreve o que lá viu?

Idalecio Montemor: A selecção para o combate na ilha da Madeira, foi mais uma experiência mista de aterradora pela dimensão e intensidade do incêndio com que se deparamos e simultaneamente de teste aos conhecimentos e práticas adquiridas ao longo dos tempos que ali foram colocadas em prática. Um combate violento, entre o homem e o fogo, no qual técnicas de extinção foram aplicadas e pela sua eficácia levou à extinção do mesmo.

 

Imagem retirada daqui.

Tribuna Alentejo: Dr. José Calixto, o que significou para a corporação ter um elemento seu a combater as chamas na Madeira?

José Calixto: Não querendo destacar nenhum elemento em particular, mostra muito orgulho na corporação. À data da ida do Idalecio Montemor para a Madeira tinhamos elementos em todas as frentes de incêndio de Norte a Sul do país.

 

Tribuna Alentejo: Gerir uma Associação Humanitária como esta implica gerir muitas dificuldades?

José Calixto: Como qualquer associação tem de investir permanentemente em equipamentos e requalificações físicas no quartel. Deste modo está em fase de projecto e respectiva candidatura, as obras no quartel, que tem quase 30 anos, e que carece de bastantes melhorias, por exemplo camaratas femininas, algo que há 30 anos não era necessário Investir.
 
Necessitamos também de um veículo misto de combate a incêndios e desencarceramento, ambulâncias de transporte de doentes às quais tem sido dada prioridade, tendo sido já feitas candidaturas, mas mesmo aqui a necessidade de melhoria é constante.  O importante também é não ter passivo bancário e nós não temos.
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