27 Janeiro 2017      11:02

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HOLOCAUSTO – 72 ANOS DEPOIS

Era esta a frase inscrita nos campos de concentração nazis: “o trabalho liberta-nos”. Durante anos, nestes campos, foram cometidas as maiores atrocidades entre seres humanos. Como disse George Steiner “Para muitos homens o ambiente de paz parece mais sufocante do que o ar revigorante da guerra.”

Por muitos acontecimentos que hoje se passem no mundo, é nosso dever recordar a História para ajudar a evitar que se repita. É ainda mais imperativo quando a atualidade social e política nos empurra para condutas extremistas, racistas e xenófobas como as que temos vindo a assistir nos últimos tempos.

No dia de hoje, 27 de janeiro, de há 72 anos atrás, as tropas soviéticas chegaram ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polónia.

Encontraram aí um cenário de horror, mesmo para soldados em guerra. No campo de concentração estavam cerca de 7000 pessoas, dez vezes menos que as que lá estavam dias antes, como relata Bronislaw Mistzal ao “Público”.

Em funcionamento desde 1940, Auschwitz foi sendo cheio com seres humanos que se amontoavam em condições sub-humanas, eram escravizados e privados dos seus direitos mais fundamentais, aliás, de qualquer dos seus direitos.

No total, aproximadamente 1,1 milhão de judeus foram enviados para Auschwitz, número a que se junta mais cerca de 500 mil de não-judeus como prisioneiros de guerra, ciganos, polacos e outros cidadãos dos países europeus conquistados. Só entre abril e julho de 1944 foram enviados cerca de 426 mil judeus húngaros; 320 mil entraram diretamente para as câmaras de gás.

Dentro das delimitações a arame farpado e cercas, não havia lei, nem justiça; a humanidade era rara e a esperança também. Como que máquinas cruéis, centenas de militares alemães foram capazes de manter vidas normais fora do campo, sendo pais e mães dedicados, assistindo a concertos ou frequentando a mais alta-roda da sociedade alemã, mas lá, em Auschwitz-Birkenau, matavam, torturavam e violavam sem pudor em cumprimento de um plano ideológico traçado por loucos.

A página de internet da SIC Notícias mostrava-nos, em 2015, uma coleção de fotos da Reuters de alguns dos cerca de 300 sobreviventes que passaram pelo campo de concentração polaco. Histórias como a de Lajos Erdelyi, então com 87 anos, levado para Auschwitz-Birkenau em maio de 1944, e que quando foi libertado pesava menos de 30 kg. Ainda assim tentou caminhar até casa. Ou a história de Erzsebet Brodt, 91 anos, em Auschwitz-Birkenau desde os 17 anos e recorda a sua viagem para lá: "aqueles que estavam doentes ou prestes a dar à luz eram forçados a entrar num vagão. Quando as portas do vagão foram abertas em Auschwitz vimos que todos os que estavam lá dentro estavam mortos" ou a história de Jerzy Ulatowski, 83 anos, entrou em Auschwitz-Birkenau com 13 anos, mas conseguiu escapar em 1945 devido a uma falha na corrente elétrica no arame farpado que rodeava o campo. Não sem antes ter sido sujeita às atrocidades e experiências de Josef Mengele, o “anjo da morte” que dava chocolates às crianças antes de os matar e os levava a passear no seu descapotável até à porta da câmara de gás.

É preciso não esquecer; não se pode repetir.

Todos e cada um de nós deve fazer a sua parte, ser um exemplo de humanidade, porque, como Anne Frank, “Apesar de tudo eu ainda creio na bondade humana”.

 

Aconselho o visionamento deste vídeo da BBC (em espanhol) e resume um pouco do que era Auschwitz-Birkenau. 

https://www.youtube.com/watch?v=_iUlywi5JfA

 

Luís Carapinha, diretor

 

Fotografia de d.ibtimes.co.uk

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