28 Fevereiro 2018      16:46

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A História repete-se no Condomínio Ibérico

Mais uma vez Portugal não foi ouvido e a legislação comunitária foi ignorada por parte do governo espanhol, que defende a todo custo os interesses da indústria nuclear espanhola sem olhar a meios para atingir os fins, ou seja, prolongar a exploração energética de todo o seu parque nuclear até 60 anos. Portugal merece mais respeito!

Primeiro foi a extensão de vida da Central Nuclear de Almaraz, agora o governo espanhol pretende instalar em Retortillo, perto da fronteira com Portugal (a escassos 40 km), a maior mina de urânio de céu aberto da Europa. Uma mina que para além de ameaçar a saúde da população residente, trará enormes impactes ambientais e sociais na bacia hidrográfica do Douro e cuja exploração causará emissões radioativas significativas, tanto de poeiras de urânio como de gás radão.

Lamentavelmente, mais uma vez, o governo português terá de intervir com rapidez e manter uma posição firme sobre esta matéria, nomeadamente, exigindo ao governo espanhol que suspenda de imediato o processo de instalação da mina de urânio e que seja elaborado um estudo de avaliação de impacte ambiental transfronteiriço, tal como a legislação comunitária prevê e assim o obriga nestes casos.

Aliás, no contexto da legislação europeia e no âmbito do Tratado Euratom, são inadmissíveis as recorrentes irregularidades cometidas pelo governo espanhol nesta matéria.

Por isso, é manifestamente insuficiente que governo espanhol, apenas, declare que a instalação e exploração da mina de Retortillo não terá impacto significativo sobre o território português. Queremos que o demonstre de forma clara e científica. Queremos que o governo espanhol dê seguimento às suas obrigações e que, Espanha, enquanto estado membro da União Europeia, respeite os seus pares. Ou, será necessário que ocorra mais uma tragédia no espaço europeu para que os responsáveis políticos atuem?

Por outro lado, é lamentável e vergonhoso o crime ambiental já praticado pela empresa Berkeley Minera España que, sem as permissões adequadas, procedeu ao corte de cerca de 400 carvalhos centenários e à extração de mais de 25 mil metros cúbicos de solo, com objetivo de preparar os terrenos para a construção da mina de Retortillo. Não deveríamos evitar por todos os meios a agressão ambiental que vai provocar a instalação e exploração da mina de urânio?

Em virtude disto, não posso deixar de manifestar um forte repúdio a mais uma investida do governo espanhol, que perpetra uma atitude desumana face à ameaça radioativa que paira sobre a população residente em toda a área afetada pela futura mina (tanto espanhola, como portuguesa), bem como, aproveito a oportunidade para repudiar veemente a irresponsabilidade ambiental já cometida.

Se até os macacos rhesus revelam comportamento altruísta, na medida em que sacrificam o seu próprio bem para o benefício de outros, só me resta concluir que os senhores que tomam estas decisões nem na família dos hominídeos se enquadram.

Os Ibéricos merecem um pouco mais de respeito!

Imagem de capa de briandcolwell.com

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