23 Novembro 2016      11:04

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A ASCENSÃO DO POPULISMO QUE ESTARRECE A EUROPA

Depois da “Trumpalhada” de Hillary os velhos fantasmas europeus estão de volta. A eleição de Donald Trump desencadeou, um pouco por todo o mundo, um terramoto político, que para já teve a virtude de avivar, encorajar e empolgar os partidos populistas europeus, tanto os de direita como os de esquerda.

Apesar das diferenças ideológicas, evidentes entre esses partidos, há algo que os une, os partidos europeus antissistema compartilham uma forte rejeição à União Europeia (UE) e à ordem liberal. E, neste momento, encontram uma anuência muito favorável no ânimo de tantos europeus veemente fustigados pela crise económico-financeira. E, exasperados, muitos cidadãos repudiam a UE, tornando-se eurofóbicos e/ou eurocéticos, levando, em muitos casos, a uma maior aproximação do eleitorado descontente aos partidos ultrarradicais, que ajustam o discurso extremista e xenófobo a uma retórica sustentada na afirmação populista de que são os únicos e verdadeiros representantes do povo. E, nem a direita liberal nem as esquerdas souberam, até agora, responder a todas estas novas angústias. Nem a União Europeia tem mostrado firmeza para lidar com a extrema-direita mais poderosa que surgiu desde a década de 1930.

Será que pestilências e velhos fantasmas estarão prestes a mudar o mundo?

Daqui a duas semanas, por decisão do tribunal constitucional austríaco, a eleição presidencial de 2015 vai ser repetida na Áustria e o candidato de extrema-direita, Norbert Hofer, tem forte possibilidade de ganhar. A seguir, em Itália, Renzi lutará pela sua sobrevivência política, quando for votado a 4 de dezembro o referendo planeado sobre a reforma constitucional. Depois segue-se a Holanda, com eleições parlamentares marcadas para março de 2017, onde Geert Wilders, do Partido Radical Anti-Islamista, surge na frente das sondagens. Depois a França, que elegerá um novo presidente entre abril e maio de 2017 e a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, parece ter uma boa oportunidade para chegar à segunda volta. Por fim, os alemães votarão no outono a composição da futura Bundestag. As réplicas do terramoto poderão, ainda, fazer-se sentir com mais ou menos intensidade. E, na periferia da União Europeia, quem assiste de cadeirão é Vladimir Putin, o presidente da Rússia que tem promovido com sucesso um neoconservadorismo orientado para a antiglobalização, euroceticismo e para a defesa dos valores tradicionais.

Ora, todo este cozinhado político europeu faz-se numa frágil panela de pressão, tendo como principais ingredientes a raiva contra os interesses políticos e financeiros instalados, apimentado, é claro, pela a luta contra a imigração e contra o Islão. A seu tempo veremos se a panela aguenta ou se ocorrerá uma explosão populista no seio da União Europeia, que perante os problemas se tem caracterizado pela alternância de períodos de enorme passividade e de repentina excitação.

Assim e depois do BREXIT, toda esta a agitação política europeia leva a crer que o colapso do projeto europeu poderá estar (ou não!) eminente.

Recuso acreditar que o ressentimento por erros do passado possa assombrar qualquer estimativa séria sobre o futuro do projeto de integração europeia. A construção do projeto Europeu deve ser feita com os cidadãos e pelos cidadãos. O projeto Europeu é na sua essência uma ideia inovadora, assente na consolidação das democracias e no progresso económico e bem-estar social, que ultrapassa os paradigmas de uma mera cooperação e conciliação de interesses entre estados.

A União Europeia tem que se reconciliar, rapidamente, com os seus cidadãos.

Imagem de capa da Reuters.

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