16 Março 2016      12:12

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FRAGILIDADES SOCIAIS

Apesar da luta contra a pobreza e exclusão social estar no centro da “Estratégia para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo”, preconizado pela Europa 2020, os países da UE estão longe de atingir a meta 2020: “retirar 20 milhões de pessoas da pobreza e da exclusão social”.

Embora, a maioria das pessoas, ao longo da vida, experimente mais de um tipo de exclusão, a característica mais comum entre os socialmente excluídos é o abandono escolar precoce.

Ora, a maioria dos jovens que abandonam, precocemente, a escola permanece desempregada ou a participar em programas de emprego. E, quando empregados, geralmente, auferem baixos salários. O que acarreta impacto sobre a autoestima e confiança, bem como compromete o pleno exercício da cidadania, na medida em que limita a capacidade para influenciar as políticas e as decisões tomadas fora do âmbito familiar.

Desta forma interpretada, a crescente diversificação dos problemas sociais, bem como a sua complexificação, coloca novos desafios à governação e à sociedade.

Na verdade, os problemas sociais complexos, como o desemprego, a pobreza extrema, a exclusão social, os maus-tratos a crianças e jovens, o isolamento dos idosos, entre outros, persistem perante uma manifesta dificuldade das instituições públicas e privadas se concertarem em torno de respostas sociais adequadas.

Face à complexidade dos problemas, na maioria das vezes, somos tentados a resolve-los através da sua simplificação, ou seja dividindo o problema em partes o que leva a renunciar à visão holística do mesmo; ou, por outro lado, somos tentados a procurar e a adaptar soluções existentes.

Portanto, inovar na abordagem ao problema é essencial, nomeadamente na adoção de novos modelos de governação, que envolvam o Estado, a sociedade civil e as empresas, numa dinâmica colaborativa e integrada.

Se, globalmente, os principais objetivos da política social são percecionados no sentido de eliminar a pobreza e de gerar um ambiente seguro e estável, de modo a proporcionar às famílias um contexto mais participativo na vida económica, social e cultural. Então: Como responder a estes desafios? Que soluções? Que caminhos? Como pode a Administração Pública responder a este novo contexto? E as instituições da Sociedade civil? Como ir além das respostas clássicas e tantas vezes inadequadas?

Neste contexto e indo um pouco mais além, considero: cada vez mais necessário lançar um novo olhar sobre as políticas de saúde, sociais e de emprego, mas também sobre educação, formação e desenvolvimento de competências, apoio às empresas, política industrial, desenvolvimento urbano, entre outros, a fim de garantir um crescimento social e ambientalmente sustentável, emprego e qualidade de vida na Europa.

De facto, os problemas associados às fragilidades e vulnerabilidades sociais são bastante mais profundos e complexos do que os percecionados pelo comum dos cidadãos.

 

Imagem de capa daqui.

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