19 Outubro 2023      10:45

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Teatro D. Maria II apresenta adaptação de Gil Vicente em Évora

Pedro Penim, ator, encenador e diretor artístico do Teatro D. Maria II

A peça “A Farsa de Inês Pereira”, adaptada do texto de Gil Vicente por Pedro Penim, reescrita também em verso, vai estrear esta sexta-feira no Teatro Garcia de Resende, em Évora.

Segundo a agência Lusa, a peça estará em cena neste teatro, na sexta-feira e no sábado, no ano em que se celebram 500 anos da primeira apresentação do texto vicentino.

Esta estreia marca o início da digressão do Teatro D. Maria II pelo Alentejo e Algarve, última etapa do território no âmbito do projeto “Odisseia Nacional”.

Pedro Penim, diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM), reescreveu “A Farsa de Inês Pereira” também em verso heptassilábico como o original de Gil Vicente.

O novo texto encerra a trilogia do encenador e dramaturgo dedicada à família, iniciada em 2021 com “Pais e Filhos” e continuada, no ano passado, com “Casa Portuguesa”.

“Apesar de se apoiar neste momento histórico” dos 500 anos, “A Farsa de Inês Pereira” a estrear não é “uma peça que tente fazer uma arqueologia histórica”, disse o autor e encenador da nova versão.

Pedro Penim considera “interessante” a coincidência entre os dois momentos históricos, já que se a época quinhentista se pautou pelo início das descobertas e pela importância que o mercantilismo veio a conquistar em termos políticos, e a atualidade é marcada pelo “capitalismo desenfreado” em que vivemos.

Por isso, a Inês Pereira de Pedro Penim não é a donzela quinhentista, em revolta contra as instituições da época, mas uma mulher de hoje, que se debate com os problemas da atualidade e que usa a sua resistência a favor da ideia de uma sociedade “pós-trabalho”, sublinhou Pedro Penim.

Com texto e encenação de Pedro Penim a partir de Gil Vicente, “A Farsa de Inês Pereira” tem interpretações de Ana Tang, Bernardo de Lacerda, David Costa, Hugo van der Ding, João Abreu, Rita Blanco e Sandro Feliciano. A cenografia e os adereços são de Joana Sousa e os figurinos de Béhen.

Além de Évora, a peça terá ainda representações no Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre, no dia 4 de novembro, e no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal, no dia 11.

O projeto “Odisseia Nacional” de digressão por todo o país foi iniciado pelo TNDM em janeiro, quando o edifício do teatro, no Rossio, em Lisboa, entrou em obras.

O projeto envolve 93 concelhos, do distrito de Viana do Castelo ao de Faro, aos Açores e à Madeira, e uma programação com centenas de iniciativas que envolvem espetáculos, ações em escolas, ações de formação, intervenções locais e parcerias, conversas, leituras, debates e ainda a itinerância da exposição “Quem és tu? – Um teatro nacional a olhar para o país”, com base no acervo do D. Maria, para contar a sua história e, através dela, a história do país.

A conclusão da “Odisseia Nacional” está prevista para o primeiro trimestre de 2024, ainda com iniciativas em diferentes zonas do país.

 

Fotografia de tsf.pt