3 Março 2021      15:02

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Vamos inventariar o arvoredo de Évora?

As árvores constituem um património importante nas cidades: pela sombra, pela qualidade do ar, pelo acréscimo de beleza que conferem às nossas ruas, pela vida que proporcionam a todos os seres, pelo bem que nos fazem só de as vermos! Todos concordamos com isso. Ou quase. Parece ser mais pacífico vermos as árvores nas ruas dos outros do que nas nossas. Se há umas folhas que caem no nosso pátio ou se se vislumbra o risco de um ramo cair no nosso carro o melhor é pedir o corte da árvore que nos transtorna. O município, gestor do arvoredo, vai pelo caminho mais fácil que  é cortar o bem pela raíz.

Pergunto-me, tantas vezes, como seria se o mesmo princípio motossereiro se aplicasse à mobilidade. Em resposta  ao risco de atropelamento de uma criança numa rua, decidir-se-ia pela corte ao trânsito automóvel nessa rua?

Também me questiono sobre o proprietário do arvoredo: Sou eu? É você? É o município? Ou somos todos, mesmo os vindouros? Não seria possível, melhor, exigível, como em tantas outras áreas da gestão dos recursos públicos, a entidade que faz a gestão do arvoredo nos prestasse contas? Concidadãos, o lodão da Rua dos Ciprestes foi cortado por questões sanitárias.

O Município de Lisboa, por exemplo, justifica as intervenções. Tem um regulamento do arvoredo, presta contas das intervenções que faz em cada árvore e disponibiliza o inventário do arvoredo.

Em Évora só por adivinhação podemos presumir a razão das intervenções que se fazem. E não tem que ser assim. Aqui em Évora, inspirados no exemplo de Lisboa e de Nova Iorque (vale bem a pena conhecer o New York City Street Tree Map), um colectivo de cidadãos (adultos e crianças) meteram mãos à obra há umas semanas.  Usando um recurso colocado à disposição de todos pela Universidade de Oxford (epicollect), criámos uma app onde é possível inventariar todo o arvoredo da cidade existente no espaço público: nome da árvore, localização  e  fotografia é o tipo de dados que inventariamos. E também identificamos nos arruamentos, caldeiras vazias ou entretanto seladas, assim como árvores recentemente cortadas.

Gostamos de árvores e queremos conhecê-las todas! Contamos com a ajuda de todos, crianças e adultos, aqui.

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Fernando Moital, pai, cidadão, professor, ciclista, peão, dendrófilo  e  cronista e utópico. Para saber mais: fernandomoital. wordpress.com/

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