17 Setembro 2017      10:09

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SPRING BREAKERS, (DIS)HARMONY ACCORDING KORINE AND DESPERATION (OVEREMPHASIS) OF ME

"DESVIOS E RESPECTIVOS ATALHOS: FILMES, LIVROS E DISCOS"

Não podendo ser de outra forma, que seja desta: releio um texto (não suporto a palavra!) com alguns meses sobre Spring Breakers. Palavras exaltadas e pouco medidas. Como se não bastasse, releitura mal dormida, após uma mudança de hora que roubou pelo menos uma. Definitivamente volve-se contra a mão que o escreveu (não ao ponto de cuspir no prato onde come e terá de voltar a comer), forma derradeira e galhofeira de masoquismo, mas esta última apenas por estar travestido de trecho de diário, como uma dentada nos calcanhares de tempos a tempos com o propósito de evitar o esquecimento. Não chegarão a conhecer tal texto…

 

Lido e relido, vamos a factos:

Falo (enfim, espirro!) sobre um filme e, a páginas tantas, esqueço de me distinguir do seu autor/realizador. Não por mal ou por inveja ou por querer enganar o próximo.

(pela simples razão de que não tenho leitores em número inteiro positivo – (e, já agora, se os tivesse? Se os tivesse, corria riscos, mas também calcularia melhor, imerso, quando não afogado, numa espécie de pudor, que desejaria ardentemente não ter e contudo teria – e não há quem escreva (e publique) e não tenha; talvez Burroughs e apenas se))

A certa altura escrevo lambendo os beiços, usufruindo de certas liberdades de que um diário se vale, belo álibi, como por exemplo: dirigir-me a outro, outros e sabendo-me apenas percebido por mim; ou então: dirigir-me a outro, outros como se estes tivessem a obrigação de seguir conselhos que dou, justificados unicamente em condições minhas.

Vontade súbita! Porém, como seria o texto pensado para vós que não existem pela voz do crítico, melhor, como seria, mantido na sua forma e integridade crítica, para vós que não existem pela voz do crítico?

 

Mais ou menos assim:

‘Melhor filme de pelo menos dois séculos - um incompleto, outro sonhado! Melhor filme porque com o desígnio de chocar? Porque nascido para nausear e afastar um certo grupo, hoje sem nome (por incluir tantos senão todos os nomes), mas com projecto acantonado em valores, não há como fugir, conservadores? Não há resposta salutar. Se chateia, porque não considerar, apenas, que cumpriu o objectivo? E que, reduzindo à visão deste crítico, até era exactamente esse; aliás, com tal convicção, a raiar uma certa inocência só permitida em filmes assim, ao ponto de implicar a exclusão de qualquer outro. Um manguito, a língua de fora, um dedo médio espetado ou o apelo a um dedo alheio no dito cujo apenas são distintos pelo local, idade, educação ou meios postos à disposição do emissor, em rigor, da governança clínica do eu criador enquanto cidadão na totalidade das disposições: produtor, reprodutor, compilador, terapeuta e doente “de morte” / tédio. No pressuposto de que cada um faz o que pode e sabe e quer, Korinne opta de consciência leve pelo dedo no dito cu, intercalando com o dedo médio espetado para abrir caminho. Num traseiro que o espectador favorável (único / solitário) não vê como seu por recusa -> aquele que se consegue enganar a esse ponto. Que ou é feminino (caso do espectador ideal – idealizado masculino!) ou é desproporcionado e colectivo (todos, incluindo o espectador ideal; menos, claro, o espectador favorável!).

É como se o bom do Korinne enunciasse algo deste género: No centro de V. Exas. com o mínimo de delicadeza possível! E até ponho a minha mulher no meio para mostrar a quanto vou… (no insert apresentado, sem direitos de autor, é a segunda a contar da esquerda).

E com este tipo de discurso diz-se sobre um filme o que é digno do mencionado? - Da forma que tal objecto merece ser olhado? Não e sim, sendo que o não é clássico e o sim é íntimo, exponencial, bonificado, e por isso clarividente (com a ressalva lubrificante, e já mencionada, de um tal discurso apenas funcionar para *filmes assim* [e eis finalmente uma auto-citação dentro da própria composição, desejo antigo]).

Por estima ao projecto, é de aludir ainda à montagem temporalmente instável e ao conceito de “pós (ironia, continuidade, etc.)”. E dizer que é um filme que ousa, no seu âmago, caminhando de indecisão em (in)decisão, (neste ponto utilizar de novo o fundamento *filmes assim*: na verdade, uma gargalhada seguida de um silêncio unido a um olhar de pura divagação!) andar ligeiramente à frente de si próprio.’

 

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