21 Março 2016      14:59

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SIM, O VATICANO É IMPORTANTE!

Em primeiro lugar quero em jeito de defesa de honra pré guilhotina social, motivada por possíveis susceptibilidades feridas que possam surgir após a leitura desta crónica alegar que: Sou convictamente e profundamente ateu! Não acredito no «Homem invisível que vive no céu a olhar para tudo o que fazemos, a todos os minutos de todos os dias da nossa vida. Homem esse que tem uma lista especial de 10 coisas que não se devem fazer, e que se fizermos uma dessas coisas, ele tem um sítio especial para nós! Cheio de fogo, fumo, calor, brasas, castigos, luta, desespero, flagelo, para onde ele nos vai enviar, para sofrermos para sempre até ao fim dos tempos! Mas que nos ama!!!» (George Carlin, 1992). Não, não acredito nesse senhor, muito menos dessa forma. Lavo portanto as minhas mãos de más interpretações de ateus radicais, ultra conservadores pseudo crentes, cegos politico-partidários ou qualquer outra pessoa que discorde fortemente dos pontos de vista que passo a apresentar.

Muitos se perguntam porque carga de água o novo Presidente da República decidiu fazer a sua primeira visita de Estado à Santa Sé, ora então podemos responder a essa questão com relativa facilidade.

Primeiro ponto, o Vaticano foi a primeira entidade a reconhecer a legitimidade e independência do Reino de Portugal, pois sem o seu aval na altura nenhum Estado era reconhecido como legítimo, independentemente das suas pretensões de autodeterminação. Tudo bem que já lá vão 837 anos, mas a demonstração de gratidão por tamanha confiança tem que existir até ao último dia de ambos os Estados. Segundo ponto, a Santa Sé é a capital da cultura Cristã Católica Apostólica Romana, que queiramos ou não, gostemos ou não, concordemos ou não, sejamos Portugueses, Espanhóis, Alemães, Italianos, Polacos, Austríacos, é a nossa cultura base, só depois disso vem a cultura nacional. Terceiro ponto, a Santa Sé na pessoa do seu representante máximo, actualmente o Papa Francisco, é ainda um dos agentes mais influentes da opinião pública a nível mundial, tudo o que seja transmitido através dos seu meios de comunicação é seguido fortemente em todos os continentes e países cristãos, ou de forte presença cristã, como a Europa, América do Norte, América do Sul, Oceania, Filipinas e África Central, onde causa um impacto e influência fortíssimos. Por todas estas razões e mais algumas, manter viva a diplomacia directa entre Portugal e a Santa Sé, tem apenas e só que ser visto como um investimento proveitoso, donde se poderão retirar dividendos positivos não só do próprio Vaticano, como do mundo Cristão Católico Apostólico Romano.

Podemos perguntar-nos, quais são as visitas de Estado que um Presidente da República Portuguesa poderá ou terá de fazer nos primeiros tempos de mandato? No meu ainda inocente ponto de vista (que vale o que vale) de estudante destas matérias, poderia sugerir:

Vaticano, por todas as questões acima enunciadas, e mais algumas.

Espanha, por ser o único país com quem repartimos uma fronteira terrestre, por ser um país com quem partilhamos laços históricos profundos, e acima de tudo por ser o nosso maior parceiro económico, para onde segue a grande maioria das nossas exportações.

Parlamento Europeu, por ser o órgão representativo dos povos da União Europeia, para onde tanto a nossa economia, bem como grande parte da nossa política externa se encontram virados, onde Portugal assume uma posição de europeísmo convicto e total disponibilidade de colaboração na construção europeia juntamente com os demais parceiros.

Estados Unidos da América, não apenas por ser a potência hegemónica que garante a nossa segurança através da NATO, bem como por ser o paraíso do investimento, da inovação, da investigação e ciência, e acima de tudo, por ser um país ocidental, factor que facilita o relacionamento entre Estados com a mesma base cultural (Católica Apostólica Romana).

O mundo lusófono através do grupo CPLP (Brasil, Angola, Moçambique, Timor, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné Bissau) por todas as razões culturais, linguísticas e históricas que nos conectam, e por toda uma variedade de trocas e investimento directo que possam ser atraídos nas relações Portugal-CPLP.

República Popular da China, por ser uma nação com a qual Portugal mantém relações diplomáticas e comerciais desde 1513, na qual geriu um território chinês de seu nome Macau durante mais de 400 anos. Mas especialmente por ser actuamente um dos maiores motores económicos mundiais, e o maior dínamo económico da região Ásia-Pacífico.

Em jeito de conclusão e não fugindo mais ao tema central, não é pelo facto de pertencermos a um Estado laico, onde a religião está separada do Estado (e muito bem), que visitas de Estado ao Vaticano deixam de fazer sentido, pois a Santa Sé é bem mais que religião, bem mais que a tutela da igreja católica, é um Estado soberano com administração própria e interesses próprios, com um governo, com ministros e com um banco central, adicionando o facto de ser também a capital da base que sustenta a cultura portuguesa, descendente directa da cultura Cristã Católica Apostólica Romana. Não se confunda um acto diplomático importante, com um mero capricho ou trivialidade.

Imagem de capa daqui.

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