26 Janeiro 2020      15:21

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Shirley Jackson

Eis o primeiro parágrafo de We Have Always Lived in the Castle, a última novela (na verdade, o último escrito publicado em vida) de Shirley Jackson:

"My name is Mary Katherine Blackwood. I am eighteen years old, and I live with my sister Constance. I have often thought that with any luck at all, I could have been born a werewolf, because the two middle fingers on both my hands are the same length, but I have had to be content with what I had. I dislike washing myself, and dogs, and noise. I like my sister Constance, and Richard Plantagenet, and Amanita phalloides, the death-cup mushroom. Everyone else in our family is dead."

Se o caro leitor consegue passar por estas palavras sem sentir um estremecimento

[que não se distingue do frio da morte – figurado, enérgico, real (?) –, que começa no estômago, pleno de frescura, passa para a medula espinhal, e então o frescor torna-se sussurro (assombrosa migração), até que se aloja no cerebelo, sem denominação ou forma, com consequências devastadoras para a harmonia entre o físico e o mental (como caminhar, simplesmente caminhar, quando o peso do crânio supera o do resto do corpo numa razão de três para um; não importa se apenas sensação, pois, como de resto se deixou no ar, uma vez o sistema invadido, já pouco importam os limites constitutivos)],

então há uma forte probabilidade de não passar de um espectro, a ilusão de um ser senciente.

Invejo-o e desprezo-o. Não de igual modo, desprezo-o um pouco mais. Não experimenta, logo não vai descobrir.       

 

Imagem de newyorker.com

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