10 Abril 2019      11:53

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Reclamações contra a CP disparam 82%. Alentejo com muitas razões de queixa

Atrasos, falta de condições, supressão de comboios e devolução de dinheiro lideram as reclamações dos passageiros da CP no Portal da Queixa. Esta realidade é bem conhecida dos alentejanos, particularmente os de Beja, cuja degradação do transporte ferroviário é tão evidente que mal se compreende porque não é resolvida.

Com composições com uma média de idades superior a 50 anos e com atrasos frequentes, a CP tem suprimido várias ligações que fazem o trajeto Beja/Casa Branca/Beja substituindo-as por ligações feitas em autocarros, o que está a gerar descontentamento e protestos dos passageiros, particularmente os que usam aquele meio de transporte para irem trabalhar. O problema agudizou-se nos últimos dois anos e é justificado pela CP com os problemas naquela linha, que decorrem da falta de eletrificação e limitam a utilização de automotoras "velhas, lentas e de manutenção cara". 

O problema dos comboios levou em 2017 Paulo Arsénio, presidente da Câmara de Beja, a exigir à CP a compra de novas composições "enquanto a linha não é eletrificada", e levou Pedro do Carmo, deputado do PS eleito por Beja a pedir que o Portugal 2020, negociado pelo anterior Governo PSD/CDS-PP, e que não contemplou "nenhuma resposta de requalificação da oferta ferroviária para o Baixo Alentejo", dê agora resposta a este problema. O que é certo é que persiste.

Entre 7 de abril de 2018 e 7 de abril de 2019, as queixas dispararam 82%, comparativamente com o período homólogo. Em comum, nos dois períodos em análise, está o motivo principal das reclamações: os atrasos.

Desde o início do ano, até ao dia 7 de abril, a maior rede social de consumidores de Portugal viu serem registadas na sua plataforma: 126 reclamações. A equipa do Portal da Queixa decidiu fazer a análise entre dois períodos mais longos e verificou que, de 7 de abril de 2017 a 7 de abril de 2018, foram recebidas 339 reclamações, tendo constatado que o número das queixas disparou para 617, entre 7 de abril de 2018 e 7 de abril de 2019, refletindo um aumento de 82%.

Por que motivo é a CP alvo de tantas reclamações?

São vários os motivos das reclamações que os consumidores dirigem à CP. No entanto, a maioria reporta: atrasos, falta de condições, a supressão de comboios e a devolução de dinheiro por engano no preço do bilhete. 

A página da CP no Portal da Queixa é o reflexo da falta de resposta entre a marca e o consumidor, uma vez que, apresenta um Índice de Satisfação de apenas 4.7 em 100 e uma Taxa de Resposta de 0%, alusiva ao último ano. Das mais de 600 reclamações recebidas nos últimos doze meses, apenas 14 estão dadas como resolvidas.

De referir que, um relatório da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes sobre o estado da ferrovia em Portugal em 2017, divulgado em março de 2019, concluiu ainda que os comboios da CP passam cada vez mais tempo parados. O documento compara a CP, empresa pública, com a Fertagus, única empresa privada de comboios para passageiros em Portugal, e a diferença é evidente. A chamada taxa de imobilização para manutenção, reparação ou outras razões manteve-se estável na Fertagus entre 2015 e 2017 (6%), mas subiu na CP: de 14% para 19% nas carruagens; e de 12% para 16% nas automotoras e locomotivas, pelo que por dia cerca de uma em cada seis está imobilizada.

 

Imagem de capa de comboios-na-planicie.blogspot.pt/

 

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