O realizador português João Canijo morreu ontem, quinta-feira, aos 68 anos, perto de Vila Viçosa, na Quinta da Porta de Ferro, local onde o cineasta repartia residência com Lisboa.
Segundo a Diana FM, Canijo, que completou 68 anos em dezembro, encontrava-se a finalizar o filme “Encenação” e tinha concluído, há cerca de duas semanas, a filmagem de uma peça de teatro relacionada com o mesmo projeto.
Nascido no Porto em 1957, João Manuel Altavilla Canijo estudou História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto entre 1978 e 1980, descobrindo logo depois a vocação para o cinema.
Iniciou o percurso profissional como assistente de realização de nomes maiores do cinema europeu, como Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter.
A estreia na realização deu-se em 1988 com a longa-metragem “Três Menos Eu”, seguindo-se a série televisiva “Alentejo Sem Lei”.
Ao longo das décadas seguintes, Canijo construiu uma filmografia marcada por retratos intensos da sociedade portuguesa, frequentemente centrados em dinâmicas familiares e em personagens femininas fortes.
Entre os seus filmes mais emblemáticos contam-se “Sapatos Pretos” (1998), “Ganhar a Vida” (2001), “Mal Nascida” (2007), “Sangue do Meu Sangue” (2011) e “Mal Viver / Viver Mal” (2023), que lhe valeu o Urso de Prata – Prémio do Júri no Festival de Berlim em 2023, ano em que recebeu também um prémio de carreira no festival Cineuropa, em Santiago de Compostela. O filme foi ainda o candidato português ao Óscar de Melhor Filme Internacional.
No seu último projeto, “Encenação”, Canijo voltou a reunir um elenco de atrizes que marcaram grande parte da sua obra, como Rita Blanco, Anabela Moreira, Beatriz Batarda e Cleia Almeida, juntando-se também Miguel Guilherme.
Fotografia de humanite.fr