17 Julho 2019      18:37

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Onde é que vocês estavam em 2019?

Em 1933, o recém-empossado regime Nazi organizou um boicote nacional às lojas detidas por judeus, bem como aos seus gabinetes de médicos e de advogados. A Estrela de David, pintada de amarelo e negro, foi usada para identificar os estabelecimentos, juntamente com frases como “Não compre aos judeus” ou “Os judeus são a nossa desgraça”. Apesar de ter durado apenas um dia - 1 de abril - e de ter sido ignorado pela maioria dos cidadãos alemães, foi o primeiro ato de uma campanha de ódio que permitiu que oito anos mais tarde o Holocausto tivesse muito pouca, ou quase nenhuma, oposição.

Em 2004, foi promulgada em França uma lei que forçou as adolescentes muçulmanas a despirem os lenços com que cobrem a cabeça antes de entrarem na escola. Os argumentos contra a medida, de que é uma peça de roupa que faz parte da sua cultura, de que se sentem despidas sem ele, e de que quem tem que ser laico é o Estado e não os cidadãos, não foram aceites e a medida mantém-se hoje em vigor. Em 2015, alguns diretores de escolas públicas francesas alargaram a proibição às raparigas muçulmanas de usar saias compridas e aos rapazes de deixar crescer a barba.

Em 1938, a conferência de Évian, realizada em julho, sobre refugiados judeus da Alemanha e da Áustria, fracassou, negando um acordo que permitisse o auxílio aos que desesperadamente tentavam fugir da perseguição Nazi. No mesmo ano, em novembro, na noite que ficou conhecida como Kristallnacht, foram mortos os primeiros 91 judeus de um total que se estima entre cinco e seis milhões.

Em 2019, um barco que transportava quarenta e sete refugiados a bordo, foi apreendido num porto na Sicília, tendo a capitã sido acusada pelas autoridades italianas de auxílio ao tráfico humano. O barco pertencia à organização alemã SeaWatch, a última de dez ONG a prestar auxílio aos milhares de refugiados que todos os anos tentam desesperadamente atravessar o Mediterrâneo, fugidos de países em guerra ou de condições de miséria extrema. Mais de trinta e seis mil refugiados morreram ao longo dos últimos vinte e seis anos nesta travessia. Atualmente, a larga maioria dos que a tentam vem fugida de três países: Síria - 50%, Afeganistão - 20%, e Iraque - 10%. Estes três países têm em comum terem sido alvo de guerras intervencionadas pelos países europeus através da NATO.

Foi até há pouco tempo atrás que os jovens alemães perguntaram aos seus avós onde estavam em 1933, quando o governo Nazi foi empossado na Alemanha e iniciou uma campanha de ódio contra os judeus que culminou com o Holocausto. Muitos responderam que estavam ocupados a tratar dos seus problemas do dia-a-dia, e que nem sequer votaram nas eleições que conduziram à nomeação de Hitler. Infelizmente, tudo estamos hoje a fazer para que possamos ter de passar os nossos últimos dias a responder à mesma pergunta.

Imagem:

SA (Sturm Abteilung) apelam ao boicote das lojas judaicas em Friedrichstraße, Berlin; 1 de April de 1933.

No cartaz pode ler-se: “Alemães, Atenção! Esta loja é detida por judeus. Os judeus prejudicam a economia alemã e pagam aos seus empregados alemães ordenados miseráveis. O principal dono é o judeu Nathan Schmidt.”

 

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