15 Junho 2024      12:24

Está aqui

O tempo, o passar dos dias e aquele que é o dia em que todos nós sentimos mais portugueses

É-me particularmente difícil, depois da ausência, voltar à rotina da escrita, voltar a tentar criar mundos e ideias, cenários e histórias que alguns gostarão e outros acharão irrelevantes, mas as palavras são livres como os pássaros que não vivem em gaiolas e nós os que vivemos em liberdade.

Poderia começar por falar sobre a vida e sobre a morte. Não existe uma sem a outra e todos nós, sem exceção convivemos com o início e com o final, todos nós nascemos e todos nós assistimos à morte de quem amamos e daqueles que, ainda que conheçamos mal, nos deixam e partem. Criámos rituais para honra-los a sua partida. No momento em que o corpo físico já não tem a alma em si, mas cujos restos mortais merecem, mais do que nunca, a nossa última homenagem e o nosso respeito.

Despedi-me, fisicamente, do meu pai há 3 meses. Desde esse momento, em que vi o seu rosto pela última vez, desde esse momento em que o homenageamos e lhe tentamos dar o melhor de nós, um mínimo daquilo que ele deu à sua família e amigos em vida.

Respeitado por todos, o meu querido pai partiu. partiu cedo demais, tinha ainda muito para nos deixar, quer na sua vertente de marido, pai, avô, membro da comunidade, produtor de medronho e tantas vertentes que me deram a inspiração de valores e princípios e que me construíram a ser aquilo que sou hoje.

O meu luto não termina hoje, mas sei que o meu pai teria muito orgulho nas parcas palavras que, semana a semana, partilho convosco. E são essas palavras que regressam, na semana de Portugal. Especialmente sentida fora das fronteiras, a data do 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, une a saudade à portugalidade em todos os países onde há um português a viver.

Por mais um ano, tive a honra imensa de participar na celebração em várias comunidades, culminando em

Newark, no domingo e no desfile comemorativo. Não sei números exatos mas certamente mais de 300.000 pessoas passaram pela Ferry Street nos dois dias de festa. Um trabalho que envolve imensas pessoas desde a Comissão do Dia de Portugal, as associações, as entidades oficiais e, os homenageados, a comunicação social e, claro, todos os que nela participam.

Este fim de semana, estive em Newark, estive na saudade e, com ela, a devida homenagem ao meu Pai que sempre me acompanha e que certamente, como tantos outros portugueses que já partilham, se orgulha daquilo que continuamos a representar e a celebrar. Um país que vive da sua língua e da sua cultura!