20 Janeiro 2017      13:46

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O PORTALEGRENSE DO GUITOLÃO

Guitolão é o nome dado ao instrumento sonhado por Carlos Paredes e construído por Gilberto Grácio. Existem apenas três exemplares no mundo, um no Algarve, outro em Portalegre e outro em Lisboa. Mas é sobretudo nas mãos de António Eustáquio, a partir de Portalegre,  que ganha vida em Portugal.

Começou por ser um sonho de Carlos Paredes que Gilberto Grácio se dispôs a tornar realidade. O objetivo era ter uma guitarra que tivesse uma escala maior e conseguisse atingir outras sonoridades e afinações, partindo da base da Guitarra de Coimbra.

Carlos Paredes acabou por falecer sem ver o seu instrumento construído tal como ele idealizou, mas isso não impediu que este fosse terminado e tocado. Em 2005 o Guitolão é apresentado pela primeira vez, nas ruínas da Ammaia, em Marvão, por António Eustáquio. Gilberto Grácio afirma que “até o (ao Guitolão) dediquei à vila de Marvão” e refere o que sentiu ao vê-lo a ser tocado pela primeira vez: “foi uma glória para mim, ter feito o instrumento para ir ser tocado, até com aqueles instrumentos que foi na inauguração (…) foi a cereja no topo do bolo”.

Guitolão na Ammaia - Parte 1

Guitolão na Ammaia - Parte 2

Guitolão na Ammaia - Parte 3

Guitolão na Ammaia - Parte 4

António Eustáquio é um músico portalegrense e desde pequeno que a música lhe despertou interesse. Formado em música, em Guitarra Portuguesa, quando tinha 19 anos partiu para Paris onde estudou Música Antiga.

De volta a Portalegre, fundou e fez parte de vários grupos musicais. Durante vários anos procurou ainda novos rumos para a Guitarra Portuguesa, de onde acabaram por sair as obras “Bach em Guitarra Portuguesa” e “Vivaldi em Guitarra Portuguesa”.  Em 2008 lançou o seu primeiro disco ao lado do Quarteto Ibero-americano. Em maio de 2015, e após a sua junção a nível musical, lançou um disco em conjunto com o contrabaixista Carlos Barretto que apresenta estilos como o jazz, por exemplo, tocados por um contrabaixo e pelo Guitolão.

Quanto ao Guitolão, António Eustáquio, considera-o diferente dos outros. “O resultado final apresenta um instrumento diferente do inicial. É um novo instrumento com uma sonoridade e personalidade próprias e com uma abordagem técnica diferente”.

 

Joana Mouquinho Penderlico

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