27 Janeiro 2020      10:06

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O pesadelo de Auschwitz persiste, e tem que persistir, após 75 anos

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto tem o seu lugar, todos os anos a 27 janeiro.

Foi em 27 de janeiro de 1945 – há precisamente 75 anos - que o principal campo de concentração nazi, Auschwitz (a sul da Polónia) foi libertado do jugo nazi pelas tropas da União Soviética.

A celebração deste dia foi criada na Assembleia Geral das Nações Unidas, pela Resolução 60/7, de 1 de dezembro de 2005.

A palavras Holocausto – de origem grega e que provém de holos (todo) e kaustro (queimado) – foi um extermínio dos judeus, ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová, comunistas, e todos os que não mostrassem ser pela Alemanha Nazi de Hitler e que existiu enquanto durou a Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945, embora já antes, em 1933, logo assim que o regime nazi se instalou na Alemanha, foram criadas medidas antissemitas, como por exemplo, o afastamento dos judeus de toda a vida económica.

Toda a parte ocidental da Polónia foi ocupada pelos alemães, que fizeram reféns mais 2 milhões de judeus, encerrando-os em ghettos, bairros delimitados por arame farpado, chefiados por um conselho responsável pelo alojamento, condições sanitárias e atividades produtivas e a alimentação era escassa e pouco calórica. O alojamento era pouco para o número de pessoas dos guetos e doenças como o tifo propagavam-se com facilidade.

Além de Hitler, o coronel Adolf Eichmann foi outro dos ideólogos deste extermínio; este último, aquando do seu julgamento em Israel, declarou que só lamentava o facto ter conseguido eliminar apenas seis milhões de judeus e não os doze milhões que tinha previsto.

O campo de concentração de Auschwitz-Birkenau – em funcionamento desde 1940 e onde os judeus eram recebidos com a frase “Arbeit macht frei“ (o trabalho liberta) –  foi o campo em que o Dr. Joseph Mengele (o Anjo da Morte de Auschwitz) realizou experiências médicas macabras e degradantes; este senhor dava chocolates às crianças antes de os matar e levava-as a passear no seu descapotável até à porta da câmara de gás.

Nos campos de concentração não havia lei, nem justiça; a humanidade era rara e a esperança também. Como que máquinas cruéis, centenas de militares alemães foram capazes de manter vidas normais fora do campo, sendo pais e mães dedicados, assistindo a concertos ou frequentando a mais alta-roda da sociedade alemã, como ficou bem evidente na obra de John Boyne “O Rapaz do Pijama às riscas”.

No total, foram enviados para Auschwitz cerca de 1,1 milhão de judeus, mais cerca de 500 mil de não-judeus como prisioneiros de guerra, ciganos, polacos e outros cidadãos dos países europeus conquistados. Entre abril e julho de 1944 foram enviados cerca de 426 mil judeus húngaro: 320 mil entraram diretamente para as câmaras de gás.

Quando os soldados russos entraram no campo deparam-se com um cenário de horror; estavam ainda no campo de concentração cerca de 7000 pessoas, dez vezes menos que a quantidade de pessoas que lá estava poucos dias antes.

Durante o genocídio, a Europa assistiu a uma grande vaga de refugiados clandestinos e Portugal não foi exceção, quer como país e passagem para os Estados unidos, quer como país destinatário final. Homens como o português Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em França, ou o empresário alemão Oskar Schindler, salvaram muitas vidas.

Entre os muitos milhares de anónimos que se viram obrigados a fugir estava, por exemplo, um dos nomes mais ilustres da Humanidade: Albert Einstein.

Às mãos do fanatismo nazis terão morrido mais de 5 milhões de judeus, 3 milhões dos quais em campos de extermínio, 1,4 milhões em operações de fuzilamento e estima-se que mais de 600 000 tenham perdido a vida nos ghettos.
Há um ano, como agora, é preciso não esquecer; não se pode repetir.

Todos e cada um de nós deve fazer a sua parte, e cumprir a humanidade que transporta em si; só isso nos levar a fazer vencer o bem, a liberdade e a justiça sobre o fanatismo, a opressão e a ignorância, porque, mesmo depois de tudo, e nas palavras de outra vítima, Anne Frank, “Apesar de tudo eu ainda creio na bondade humana”.

Para que não se repita, não basta passar esta página negra da História da Humanidade e encerrar os acontecimentos no baú do passado.

Para que não se esqueça, é necessário relembrar os milhões de vítimas provocadas pelo genocídio levado a cabo pela Alemanha nazi em plena II Guerra Mundial.

Para um mundo melhor, é necessário que cada um de nós, nos pequenos atos diários, reflita neles ideais de justiça, liberdade, respeito e humanismo.

 

Luís Carapinha, diretor

 

 

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