17 Julho 2020      10:19

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As novelas dos poderosos, por entre a perplexidade e a revolta

Façamos um simples exercício de memória. Nos últimos vinte anos, quantos foram os escândalos relacionados com práticas ilegais no universo da banca e da alta finança em Portugal?

Aqueles que muitas vezes surgiam como as referências idóneas do regime, os grandes empreendedores, os que mexiam a alavanca da economia, sempre tratados com grandes honrarias e aparentemente, a salvo de qualquer suspeita, acabam por ser, em grande parte e segundo notícias recentes, os maiores vilões do sistema.

Porém, recebiam condecorações do Estado, eram chamados a falar sobre a sua experiência enquanto gestores (lá fora e cá dentro) e multiplicavam-se os elogios e as vénias perante a sua providencial ação como patrocinadores de grandes projetos, fundamentais para o desenvolvimento do país. Eram os melhores exemplos que Portugal necessitava para se colocar na linha da frente no contexto europeu.

Mas tudo não passava duma mera ilusão, pois aquilo que aconteceu não foi mais do que uma brilhante maquilhagem, ao que tudo indica, de um sem-número de práticas, no mínimo suspeitas e que a Justiça, lentamente, tem vindo a pôr a descoberto.

E o que pensa o cidadão comum, ao ter conhecimento do que aparentemente se passava?

Então, todas estas enormes fortunas, estes grandes empresários, estas poderosas famílias, na sua maioria, só conseguiram criar e expandir os seus negócios graças a práticas fraudulentas, que incluíam corrupção, tráfico de influências, branqueamento de capitais e associação criminosa.

E o problema é que a situação tem sido recorrente. Ruindo agora como um frágil castelo de cartas, quase todos os protagonistas dos grandes impérios, têm vindo a ser envolvidos pelas malhas da lei. Os todo-poderosos da alta finança, infelizmente quase sem exceção, têm caído em desgraça, supostamente devido a uma ganância desmedida e a um sentimento de impunidade que grassava (ou grassa?) pela sociedade portuguesa. A nebulosidade sobre este estranho e restrito mundo de alguns privilegiados tem vindo a adensar-se e coloca outra questão, que origina uma dúvida e um temor em relação ao futuro: o que mais estará para vir?

Os tentáculos de muitas destas organizações infiltraram-se no mundo da política, o que nos faz pensar que a existência de esquemas duvidosos vai muito para além daquilo que realmente conhecemos.

Não fora a comunicação social e muitas destas histórias ficariam para sempre ocultas e sem nenhum julgamento…

Parece que, infelizmente, as pessoas sérias e honestas são cada vez mais raras. De acordo com o que tem vindo a lume, aqueles que num passado recente brilharam a grande escala, só alcançaram grandes feitos porque foram vigaristas e trapaceiros. Com as suas “maroscas”, lesaram o Estado, os contribuintes e aqueles que, com boa-fé, entregaram as suas poupanças de uma vida a algumas instituições bancárias, dominadas pelos grandes e intocáveis nomes do Olimpo português, que não passavam de meros ídolos com pés de barro.

Infelizmente, o que estes casos nos demonstram é que quem realmente é digno e trabalhador, não passa da “cepa torta” e não está talhado para almejar grandes feitos.

Não há qualquer hipótese perante os “tubarões” que, sem olhar a meios e movidos somente por uma desenfreada ambição, tudo fazem para atingir os seus fins. Durante décadas, alargaram a sua ingerência perante um largo número de vassalos, que também beneficiaram com as práticas duvidosas.

O que se pede? Que se faça justiça, de forma célere!

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