26 Setembro 2025      10:04

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NATO em exercício militar em Beja

Está a decorrer desde o passado domingo (21), em Beja, o NATO Tiger Meet 2025 (NTM25), um “exercício multinacional que reúne militares de vários países parceiros em torno de operações táticas em diferentes domínios, visando o reforço da interoperabilidade entre forças aliadas”, informa a Força Aérea Portuguesa, através de comunicado.

Segundo a mesma fonte, este prestigiado exercício, com chancela da NATO, que está a decorrer na Base Aérea N.º 11, em Beja, sob organização da Força Aérea Portuguesa, prolonga-se até ao dia 03 de outubro, “constituindo-se como um dos mais relevantes exercícios aéreos do mundo, com o objetivo de treinar e validar a capacidade das forças participantes para operar, de forma coordenada, em teatros de operação internacionais”.

Com 1700 militares envolvidos diretamente neste exercício, 1400 participantes de 12 nações executam “treinos focados em cenários realistas de defesa aérea integrada, luta aérea ofensiva, ataque e de apoio à componente terrestre e marítima, essenciais para dar resposta aos atuais desafios da Defesa Militar”. Durante as duas semanas de exercício, com operações a partir de Beja e sob um cenário de conflito ficcionado pela Força Aérea, serão realizadas “operações aéreas” e produzidos “efeitos em múltiplos domínios”, com mais de 85 aeronaves envolvidas em cenários exigentes, que maximizam “a interoperabilidade entre os diferentes meios e a integração de novas capacidades”. Em destaque entre os meios participantes, encontram-se 59 caças, entre os quais F-16, F-18, JAS 39 Gripen, Eurofighter e Tornado, 16 helicópteros e diversas aeronaves de transporte, reabastecimento aéreo e controlo tático, como os aviões E-3A AWACS.

Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Polónia e Suíça estão entre os países que marcam presença, em conjunto com meios próprios da NATO, neste exercício internacional, que tem origem nas tradições de esquadras de voo que ostentam um “Tiger” como símbolo.

A iniciativa fica ainda marcada pela realização de dois exercícios sincronizados e integrados com o NTM25. São eles o Ramstein Guard, do programa de treino de Guerra Eletrónica da NATO, e o FAST EAGLE 25, um exercício focado em Operações Especiais e coordenado pela Célula de Planeamento Conjunta.

“Naquele que é um dos exercícios mais importantes e prestigiados realizados na Europa, o NTM25 constitui-se como uma oportunidade única para os participantes testarem técnicas, táticas e procedimentos em cenários contestados, que exigem soluções em múltiplos domínios”, explica a Força Aérea, acrescentando que este exercício conta com “a participação de meios aéreos, terrestres, navais, de ciberdefesa e do espaço, garantindo a integração de diferentes capacidades”.

Esta edição “distingue-se pela integração inovadora de imagens obtidas por satélites de muito alta resolução, que vão dar suporte às operações através da disponibilização de informação recolhida quase em tempo real”, continua. Foi também instalada, com o apoio das entidades parceiras CTI Aeroespacial, ICEYE e Geosat, uma célula de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) espacial, que transforma os dados recolhidos em conhecimento, “oferecendo uma informação mais atual, precisa e relevante”. “Esta capacidade proporciona uma perceção quase imediata da situação no terreno, permitindo decisões mais informadas e proativas, que aumentam a eficácia das operações e reduzem a incerteza em cenários complexos e dinâmicos. Ao disponibilizar este conhecimento diretamente às forças no terreno, a Célula IVR acelera a coordenação entre diferentes níveis de comando e reforça a interoperabilidade, que constitui o verdadeiro centro de gravidade do exercício”, salienta.

O NTM25 tem tido, ao longo do tempo, “um papel fundamental no fortalecimento da capacidade operacional de países terceiros, promovendo a harmonização de procedimentos, a partilha de conhecimentos e o desenvolvimento de táticas avançadas de combate aéreo”.

O “reforço dos laços” e o fomento da “cooperação internacional entre os países participantes nas áreas da defesa e do desenvolvimento tecnológico” são outros dos objetivos deste exercício.

A origem do NTM25, criado e mantido pela NATO Tiger Association, remonta a 1961.

Portugal já recebeu este exercício em quatro ocasiões, sendo esta a quinta vez que o faz, sob organização, planeamento e execução da Força Aérea Portuguesa.

Este é um exercício que “reafirma o compromisso dos países parceiros para com a manutenção da paz, segurança e estabilidade, através da constante atualização e preparação conjunta das forças militares que permita dar resposta a qualquer cenário”, conclui.

 

Fotografia de aeromagazine.uol.com.br