19 Março 2020      10:06

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Montes Alentejanos e Covid-19

Há alguns dias fizeram um comentário inacreditável em televisão nacional, demonstrando a falta de conhecimento e a ignorância daqueles que cresceram nas grandes metrópoles do país.

Não quero com isto dizer que todos sejam assim, não quero com isto dizer que todos tenham tão pouca capacidade de observação ou um mínimo de cultura geral, longe disso.

Não no Alentejo não vivemos em montes, não vivemos isolados e, por incrível que pareça, não vivemos no meio dos rebanhos e das manadas. A mesma pessoa que proferiu tal afirmação, também referiu que o Alentejo estava protegido do Covid-19 não só por todos vivermos longe uns dos outros, mas também porque o turismo não é assim tanto nesta região. Infelizmente, registam-se agora dois casos confirmados no nosso Alentejo. Dois casos de tantos outros, é verdade, mas ao que parece, não estamos assim tão protegidos.

O turismo no Alentejo foi o que mais cresceu nos últimos três anos. O dia-a-dia de um eborense, de um bejesense, de um castrense, de um reguenguense, já é o de quem está habituado a ver grandes aglomerados de turistas na sua localidade.

Os dias passam e sabemos que o Alentejo que sempre foi só nosso, já é de todos, já é explorado e conhecido, já é amado por uns e continua desprezado por outros tantos e as declarações desta senhora são prova disso. Vivemos num país de assimetrias regionais, num país concentrado apenas nas grandes cidades e que menospreza as restantes.

Fica apenas um apelo: o Alentejo tem muito para dar, mas não a quem apenas vem para cá porque a situação ainda está controlada. Sim porque há quem assim pense, basta assistir aos noticiários. Numa altura como esta temos de nos unir por uma causa maior, pela saúde pública e bem-estar geral, por isso, fiquem em casa, não venham ao Alentejo, afinal só há aqui montes e vivemos presos no século passado. Não procurem fugir da pandemia, porque ela chega a todo o lado, a verdade é que chegou ao fim do mundo, àquele que para vós não existe sequer.

Cuidem-se, protejam-se e, para quem está infetado, votos de boa recuperação, de um mundinho pequeno, de um Alentejo tão nosso e tão bom, de uma vida que é vida, de um desprezado, mas tão rico lugar.

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Leonor de Matos Pereira, nascida em Évora, 20 anos, estudante do 3º da Licenciatura em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. 

Atual membro do Conselho Fiscal da Associação Académica da Faculdade de Direito.

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