14 Março 2019      19:23

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Luzianes-Gare, voltarão os comboios a parar ali?

Estação de Luzianes, Odemira

Estavamos no ano de 1888, quando a estação ferroviária de Luzianes-Gare, originalmente chamada de Odemira, foi inaugurada. E o facto mudou radicalmente a pequena comunidade agrícola, que beneficiava das suas paragens.

Em 2012 a CP terminou com paragem dos comboios da Linha Regional do Sul na estação de Luzianes-Gare, alegando "elevado prejuízo financeiro" e "falta de procura". Ninguém se conformou. Sobretudo o presidente da autarquia de Odemira que atirou à cara da CP os prejuízos do Metro de Lisboa. "Qualquer dos argumentos não me convence por duas razões. Por um lado, porque é necessário assegurar um serviço público mínimo, especialmente em zonas de baixa densidade como esta e onde escasseiam transportes públicos. E por outro lado, porque os cerca de dois milhões de euros que nos apresentaram como prejuízo de certeza que não dão um valor per capita mais elevado quando comparados com os prejuízos do Metro de Lisboa, da Carris ou da Transtejo", declarava José Alberto Guerreiro a um jornal local em 2012.

Sete anos volvidos, vem agora o CDS questionar o Ministro das Infraestruturas e da Habitação, "se está prevista alguma intervenção por parte do Ministério, junto da CP, de forma a possibilitar que alguns dos serviços ferroviários possam ter paragem" naquela estação. E não é que os passageiros que ali querem parar não tenha encontrado uma solução, pragmática quanto baste. E, segundo o CDS, perigosa. É que alguns dos passageiros da localidade são forçados a deslocar-se até estações com uma distância considerável de Luzianes-Gare (Saboia, Santa-Clara-a-Velha ou Amoreiras-Gare), enquanto outros aproveitam as "paragens técnicas dos comboios nesta localidade (Luzianes-Gare) para abandonar o comboio ali, "existindo desta forma um risco para quem abandona o comboio sem as devidas condições de segurança". 

Voltarão os comboios a parar em Luzianes? Não se sabe. E novembro de 2017 a Infraestruturas de Portugal (IP) concluiu um conjunto de trabalhos de reabilitação e beneficiação das estações de Amoreiras-Odemira, Luzianes, Santa Clara-Saboia, São Marcos-Santana da Serra e Messines-Alte, na Linha do Sul, "num contributo para a melhoria da imagem do seu património, assim como das condições oferecidas aos passageiros". Resolvido o problema do património, falta resolver o dos passageiros e, claro, daquela pequena comunidade que ficou literalmente "a ver passar comboios".

 

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