9 Novembro 2019      10:05

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Há 30 anos, o povo derrubou o muro!

Se a bipolarização do mundo no pós-Segunda Guerra mundial se pudesse resumir a um símbolo, esse seria certamente o Muro de Berlim, "die Berliner mauer".

"Cresce junto, o que é para estar junto" disse Willy Brandt, ex-chanceler alemão, sobre os acontecimentos de 1989, o ano em que o muro que separou a cidade de Berlim em dois durante 28 anos - separando famílias e amigos - foi derrubado. Desse acontecimento passam hoje, 9 de novembro, 30 anos e foi um dos momentos mais importantes da história do século XX.

A queda do muro representou a abertura de um mundo face a outro, de uma Berlim face a outra, mas mais, representou a junção de famílias, de amigos, de amantes; de cidadãos de uma mesma cidade e de uma Alemanha estilhaçada e recuperada de duas guerras mundiais.

De uma parte do muro, na parte leste de Berlim, controlavam a antiga União Soviética; do outro, os aliados que venceram a guerra, com Berlim dividida em três áreas de controlo sob domínio americano, francês e inglês.

A parte dos aliados tomou o nome de República Federal Alemã (RFA) e o setor oriental, o soviético, de República Democrática Alemã (RDA). Entre um e outro existiam 81 pontos de passagem, como aquele que é hoje um ex-libris da cidade, o “Check-point Charlie”.

O muro – com quase 70 quilómetros de pedras, cimento e tijolos, com torres, redes metálicas eletrificadas, arame farpado e vigias apertadas com cães e tropas nada hesitantes – caía a 9 de novembro de 1989. Neste dia, o mundo estava colado à televisão e não sabia bem que o que pensar dos acontecimentos que chegavam desde Berlim e que viria a mudar a face do mundo; era o acontecimento que marcava o fim da Guerra Fria.

Até 1961 quase 3 milhões de pessoas deixaram para trás a Alemanha Oriental, controlada pela antiga ex-URSS, para entrar no capitalismo e modernidade dos Aliados. Ao aperceber-se dessa constante perda de população, a antiga RDA, na noite de 12 de agosto de 1961, decidiu levantar um muro provisório e fechar 69 pontos de controle, ficando abertos, mas condicionados, 12 e na manhã seguinte os berlinenses viram ser colocados 155 quilómetros de arame farpado e que separava agora as duas partes de Berlim. Os meios de transporte públicos deixaram de passar de um lado para o outro e o arame farpado foi dando lugar a tijolos e cimento.

Criou-se um perímetro em redor do muro que veio a ter o nome de “faixa da morte” e entre arame farpado, fossos, vigias com cães e torres de controlo, passar de um lado ao outro de Berlim tornou-se impossível, tendo morrido centenas de pessoas e sido detidas, só na parte leste, a parte russa, 75 mil pessoas acusadas de desertores, o que, segundo o código legal da ex-URSS, teriam que ser punidos com dois anos de prisão.

A abertura das fronteiras entre a Áustria e a Hungria, em maio de 1989, foi um desbloqueador que levou a que milhares de alemães da do lado oriental se manifestassem com regularidade, até que a 9 de novembro, na mítica Alexanderplatz, o governo da ex-RDA afirmasse que a passagem para o lado oeste estava permitida.

Milhares de pessoas aglomeraram-se nos pontos de controlo existentes e os guardas, sem qualquer ordem, não viram outro caminho que não fosse o de levantarem as cancelas e deixarem o povo passar.

O mundo estava colado à televisão ao aperceber-se deste acontecimento. Quer fosse por alegria, por medo, quer por um misto de ambas e outras tantas emoções, o derrube (a queda não; quedas damos sozinhos, o muro foi derrubado) do muro de Berlim deixava o mundo em suspenso e nada seria igual. As pessoas começaram a abrir as primeiras brechas no muro um ato simbólico, “die mauer” fora derrubado pela persistência e coragem dos berlinenses e com alguns contributos externos como o de Ronald Reagan, em 1987, e que num discurso em Berlim pediu a Gorbatchev que derrubasse o muro.

Nesse 9 de novembro, em Berlim andavam à solta verdadeiros sentimentos de alegria, sentimentos do mais intrínseco do ser humano. A liberdade e a felicidade das pessoas era contagiante; os bares serviam bebidas gratuitas, as pessoas saudavam-se nas ruas como se fossem melhores amigos apesar de nunca se terem visto; Hitler e a ex-URSS eram só sombras do passado face um futuro que a liberdade pintava a esperança e que vê hoje Berlim ser uma cidade linda, que não esquece o seu passado e que um dos maiores PIBs municipais do mundo.

O muro que outrora era um empecilho à felicidade, passou a ser um exemplo da luta, da esperança por um mundo melhor. Partes do muro foram enviados para todos os cantos do mundo para espalhar esta mensagem. Há muro no estaleiro de Gdansk, Polônia, no Museu Imperial da Guerra de Londres, no Newseum em Washington, em Nova York, no Hawai, em Buenos Aires, Seul, em Fátima e na casa de milhares de pessoas.

A queda do muro representou o fim do medo; um caminho que a que não queremos voltar. Por isso, quando um qualquer fanático revela que quer levantar muros, sejamos, juntos uma voz contra; sigamos o conselho de Isaac Newton, construamos mais pontes e menos, muitos menos, muros.

Hoje, e este ano mais que nunca, “Ich bin ein Berliner” e serei sempre um, pois isso representa ser pela liberdade, pela união e pelo amor das pessoas às pessoas.

Parabéns, Berlim!

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