1 Maio 2020      10:46

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Galeão Pinto Luísa volta às águas de Alcácer do Sal

O galeão Pinto Luísa regressou esta semana a Alcácer do Sal, após ter sido alvo de trabalhos de manutenção durante dois meses num estaleiro, em Sesimbra.

O galeão levou uma lavagem do casco a alta pressão, seguida de pintura, calafeto de alguns topos e costuras, que foram emassadas para vedação da água. Modificou-se a fixação do esticador do mastro à roda de proa para garantir a segurança do mastro e da tripulação, efetuou-se a substituição dos 10 zincos e meteu-se breu na manga de veio.

No ano passado, o galeão Pinto Luísa realizou cerca de 55 passeios, entre passeios temáticos promovidos pelo Município a viagens solicitados por associações do concelho, particulares e empresas de Alcácer do Sal e de fora do concelho. No total, em 2019 viajaram nesta embarcação cerca de 1600 pessoas.

A Câmara Municipal de Alcácer do Sal possui dois galeões do sal, embarcações tradicionais praticamente únicas no mundo já que das quinze que se pensa terem sobrevivido até hoje poucas se encontram a navegar e, ainda menos, no nosso país, de onde são originárias. O Amendoeira e o Pinto Luísa são pois testemunhas singulares desse passado em que o Sado era o principal motor económico da região, repleto de embarcações que transportavam mercadorias e gentes.

As primeiras embarcações de carga terão resultado da conversão de pequenos barcos de pesca em galeões de transporte de sal. Com as devidas adaptações, o galeão apresentava o seu casco alongado para melhor navegação fluvial, popa ogivada com leme por fora e roda de proa quase vertical. O convés era corrido com duas grandes escotilhas para carregamento de sal.

Este tipo de transporte fluvial manteve-se até aos anos 70, dada a localização das salinas e a inexistência de vias alternativas terrestres. Desde então muitas destas embarcações ficaram esquecidas nas margens do rio e acabaram por apodrecer ou naufragar.

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