24 Janeiro 2026      10:44

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Falta de literacia financeira afeta 90% dos portugueses e tem mais impacto no Alentejo

Noventa por cento dos portugueses consideram que não receberam uma boa educação financeira na escola, segundo dados do European Consumer Payment Report 2025 (ECPR 2025), divulgado pela Intrum. O estudo revela que apenas 10% dos consumidores em Portugal afirmam ter tido formação financeira adequada no ensino formal, um valor significativamente abaixo da média europeia, fixada nos 20%. A ausência de literacia financeira desde a infância é apontada como um dos fatores estruturais que contribuem para a fragilidade económica, o sobre-endividamento e a reduzida capacidade de poupança na idade adulta.

De acordo com o relatório, os comportamentos financeiros dos adultos estão fortemente ligados ao contexto familiar em que cresceram. Apenas 51% dos inquiridos em Portugal referem ter recebido dos pais noções básicas de gestão do dinheiro e só 29% afirmam que o tema era discutido com abertura em casa. Paralelamente, 25% recordam o dinheiro como uma fonte frequente de tensão familiar. Para o diretor-geral da Intrum, Luís Salvaterra, a educação financeira deve ser “universal, obrigatória e estruturada desde cedo”, sublinhando que a falta desta preparação compromete a igualdade de oportunidades e perpetua ciclos de vulnerabilidade económica.

A análise regional evidencia desigualdades significativas, com o Alentejo a surgir como a região mais afetada pela falta de literacia financeira. Apenas 26% dos inquiridos alentejanos dizem ter aprendido com os pais a gerir o dinheiro e mais de metade (51%) cresceu num ambiente de stress financeiro. Estes indicadores colocam o Alentejo acima da média nacional no que respeita à exposição a dificuldades financeiras durante a infância, refletindo fragilidades estruturais que se prolongam ao longo da vida adulta e condicionam a estabilidade económica das famílias da região.

O estudo classifica os consumidores em três perfis — “Frágeis”, “Adaptados” e “Resilientes” — mostrando que apenas 5% dos consumidores considerados financeiramente frágeis tiveram educação financeira na escola. Entre os resilientes, essa percentagem sobe para 19%, sendo também mais frequente a aprendizagem em contexto familiar. A Intrum conclui que a fragilidade financeira resulta sobretudo da falta de ferramentas para tomar decisões informadas, alertando para a necessidade de uma intervenção estruturada no sistema educativo, com particular relevância em regiões como o Alentejo, onde o impacto social e económico desta lacuna é mais profundo.