11 Abril 2018      10:01

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Fakebook

Depois dos recentes escândalos que fizeram abanar a estrutura do Facebook e tremer a sua hegemonia, Mark Zuckerberg revelou aquilo que muitos de nós já desconfiávamos: o Facebook analisa o conteúdo partilhado em privado do mesmo modo que analisa o conteúdo público.

Como a manipulação desta informação pode configurar claramente uma ameaça direta à democracia, este assunto deverá merecer uma profunda reflexão sociopolítica, designadamente, no que se refere à possibilidade de interferências estrangeiras em campanhas eleitorais, como é o caso concreto que despoletou este escândalo e que está intimamente associado com a atividade da Cambridge Analytica.

Tudo indica que esta consultora política tenha tido acesso a informações pessoais de 87 milhões de utilizadores do Facebook sem ter obtido o seu consentimento expresso. Informações que depois de recolhidas foram analisadas por um programa informático de propaganda destinado a influenciar resultados de referendos e atos eleitorais, nomeadamente as presidenciais dos Estados Unidos vencidas por Donald Trump; e o referendo do Reino Unido ao BREXIT.

Embora, os 87 milhões de perfis violados representem apenas cerca de 5% do universo total dos atuais 2,13 mil milhões de utilizadores ativos do Facebook, estes números demonstram, inequivocamente, a permissividade e as fragilidades que esta rede social apresenta ao nível da sua política de proteção de dados, o que, desde logo, não pode deixar ninguém indiferente.

Por outro lado, esta rede social tem vindo a favorecer a utilização de sofisticados mecanismos de micro-segmentação, que são especialmente usados como amplificadores de: discursos de ódio; apelos terroristas; assédio racial e sexual, promovendo, assim, a intolerância, a exclusão e o ódio no interior da rede social.

Além disso, a manipulação sistemática de um sistema distorcido de avaliação de informações origina, sem dúvida, uma falsa noção de notoriedade e popularidade atribuída a certos indivíduos, organizações, ou a determinadas mensagens ou conteúdos, pelo que da aplicação metódica desta prática resulta uma técnica direcionada para nos confundir ou nos dividir em relação a questões sociais fraturantes e/ou relevantes.

Seja como for, a privacidade dos dados é, sem dúvida, a maior preocupação que atualmente assombra os utilizadores das redes socias. Neste caso particular, Mark Zuckerberg tudo terá que fazer para, rapidamente, recuperar a nossa confiança e a credibilidade do Facebook, pelo que a plataforma deverá garantir que qualquer informação sobre o indivíduo, seja ela qual for, deverá apenas ser controlada somente pelo individuo e não possa ser usada por terceiros sem a sua permissão.

Todavia, o que deverá merecer a nossa máxima preocupação é o modo como toda a Internet é gerida atualmente. Em teoria é descentralizada, mas na prática a sua gestão é centralizada, encontrando-se nas mãos de meia dúzia de empresas tecnológicas, tais como Facebook; Amazon; Google; Twitter; Apple; e Microsoft.

Evidentemente, é imprescindível que ocorra uma revolução disruptiva na WEB do século XXI e, dessa forma, sejam criadas condições para o surgimento da WEB 3.0, cujo desenvolvimento aponta para a adoção de tecnologia “blockchain”, tecnologia que permitirá eliminar os riscos associados ao armazenamento de dados de forma centralizada em toda a rede. Até lá, devemos reivindicar pela nossa privacidade.

Imagem de capa de digiday.com

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