21 Julho 2024      10:14

Está aqui

EDIA agrava prejuízos para 40 milhões em 2023

A EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva) apresentou um resultado líquido negativo de 40,04 milhões de euros em 2023, superando em muito o planeado (-10,71 milhões de euros) e resultando numa variação desfavorável de 273,8%. Em termos homólogos, os resultados foram piores em 29,51 milhões de euros, um desvio negativo de 280,2%, conforme comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O EBITDA da empresa sofreu uma queda significativa de 30,94 milhões de euros (-720,21%) em relação a 2022, passando de 4,30 milhões positivos para 26,64 milhões negativos. As receitas operacionais totalizaram 54,80 milhões de euros em 2023, um valor 3,7% abaixo do previsto no plano, embora tenha havido um aumento de 5,2% em comparação com o ano anterior, impulsionado por um crescimento de 4,65 milhões (+12,0%) nas vendas e prestações de serviços. Este aumento compensou parcialmente a diminuição de 1,65 milhões (-44,1%) na rubrica de variação dos inventários de produção, decorrente da redução do investimento no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA).

As vendas e prestações de serviços atingiram 43,41 milhões em 2023, destacando-se os segmentos de Energia (12,26 milhões) e Água (28,69 milhões). Em comparação com o ano anterior, houve um crescimento de 0,8% no segmento de Energia e um aumento mais expressivo de 17,7% no segmento de Água, refletindo um aumento do volume de água distribuída em 2023, já que o tarifário se manteve inalterado.

Os custos operacionais totalizaram 88,80 milhões em 2023, representando um aumento de 46,6% (+28,24 milhões) em relação ao ano anterior e um desvio desfavorável de 42,2% (+26,35 milhões) em relação ao plano revisto. Este aumento deve-se principalmente ao crescimento dos gastos com fornecimentos e serviços externos (+5,28 milhões) e ao reforço das provisões em 20,56 milhões devido à constituição da provisão associada ao novo contrato de concessão da rede secundária (+22,34 milhões face ao período homólogo).

Os gastos com eletricidade, em particular, aumentaram significativamente, atingindo 7,79 milhões em comparação com o plano revisto e 11,34 milhões em relação ao período homólogo. Este aumento foi influenciado pelo preço da energia contratada pela EDIA e pelas condições meteorológicas de 2023, que exigiram maior consumo de energia para reforçar a adução de água em todo o EFMA. Comparado com 2022, os gastos com fornecimentos e serviços externos subiram 10,73 milhões (+26,7%).

Além disso, houve um acréscimo de 1,09 milhões nos gastos de conservação e reparação e uma diminuição de 1,55 milhões em subcontratos, semelhante à variação dos inventários de produção. Os gastos com pessoal ascenderam a 7,645 milhões, ligeiramente abaixo do limite fixado de 7,649 milhões, com um aumento de 619 mil (+9%) em relação ao ano anterior, devido principalmente à atualização salarial e à admissão de 12 novos colaboradores em dezembro de 2023.

A EDIA destaca que 2023 foi o ano mais quente desde que há registos, com a região de influência do EFMA marcada por uma seca severa. A campanha de rega no EFMA começou cedo e intensificou-se rapidamente, levando a um aumento de 12% no consumo de água para 407 milhões de metros cúbicos. As despesas com fornecimentos e serviços externos subiram 25% para 50 milhões de euros devido ao elevado consumo de eletricidade (237 GWh), diretamente proporcional ao volume de água distribuída, e ao aumento do preço da energia.

Apesar dos desafios, a EDIA continua a trabalhar para melhorar a gestão de recursos e reduzir os custos operacionais, adaptando-se às condições climáticas adversas e ao aumento das exigências energéticas.

 

Fotografia de roteirodoalqueva.com

Fonte: jornaleconomico.sapo.pt