26 Maio 2016      12:41

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DOS FERIADOS, DA GESTÃO E DA PRODUTIVIDADE

"A FERRUGEM DO SISTEMA"

No momento em que escrevo este artigo, oiço um debate entre um representante da confederação da indústria e um dirigente de uma das centrais sindicais. Este debate é motivado pela hipótese de juntar os feriados aos fins-de-semana, acabando com as “pontes”… em particular nos feriados móveis.

Não faz muito tempo, o anterior governo, com acordo da igreja, eliminou 4 feriados (2 religiosos e 2 civis), nessa data, o argumento foi o da produtividade, e nessa mesma altura cheguei a dizer que as quebras de produtividade, ou aumento da mesma era uma falsa questão… primeiro porque não são 4 dias (em particular em industrias de produção continua) que vão diminuir ou não a produtividade, mas também porque existe um efeito positivo (indireto) por via de aumento dos consumos das famílias.

O governo em funções, por motivos eleitoralistas, ou apenas ideológicos, veio repor os feriados… sem que tivesse existido qualquer estudo (pelo menos que tenha sido publico) que tenha suportado a decisão, ou mesmo que tenha contradito a remoção dos mesmos por parte do governo anterior.

Esta questão, que tem sido trazida a praça pública por políticos e sindicalistas, não tem tido por parte dos empresários e empreendedores a devida resposta.

Por obrigação profissional, tenho que olhar todos os anos para mapas de férias, e aprovar o gozo das mesmas por parte dos colaboradores da empresa, e sem exceção existem aproveitamento de pontes, de forma licita. Cabe-me a obrigação de olhar para o calendário, para as responsabilidades assumidas perante os “meus” clientes e analisar se podem ou não ser gozadas as pontes geradas pelos feriados. E isso não é mais que a minha função, a de gerir.

A produtividade é mais do que o número de dias ou horas de trabalho, a produtividade tem a ver com fazer melhor, com menos erros, com mais horas de trabalho efetivo (nunca vi um sindicalista a dizer que das 7 ou 8 horas de trabalho, na realidade temos apenas 5 ou 6 de efetivo e bom trabalho). Nunca vi ninguém questionar a idiotice de bonificar a assiduidade com dias de férias (ir trabalhar os dias para que são pagas não é uma obrigação de qualquer colaborador?).

O que não faz sentido é debater estas questões de forma leviana e achar que os resultados em termos de produção aparecem logo no ano em que se retira ou não o gozo de um feriado… mas que fique claro, sou favorável a existência dos 4 feriados, gozados nas datas em que devem ser (sejam eles durante a semana, colados ao fim-de-semana ou mesmo durante o mesmo), o que não faz sentido é esta questão ser debatida sem que antes se verifique outras (essas sim gritantes) anormalidades que influenciam o normal funcionamento dos agentes económicos.

A realidade encarrega-se sempre de desmentir os argumentos de opções politicas de caracter exclusivamente ideológico, sem estratégia, espero bem que esta questão não venha a ser mais uma destas situações…

 

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