12 Julho 2020      11:52

Está aqui

Dei-te tudo

Dei-te o mundo. Pelo menos o meu.

Dei-te as minhas lágrimas, dei-te a minha dor e continuo do avesso.

Perdi a minha voz, o meu olhar, perdi-me em ti e ainda não me encontrei.

Dei-te o meu ar junto da minha mão e largaste-a. Caiu tão suavemente que só senti quando voltei a ter um frio desconhecido, será? Tão desconhecido assim?

Fiz as pazes com a dor e jogamos xadrez. Caída nela, dá-me forças (ironicamente), não me puxando contra si, não desistindo de mim.

Hoje, contra o vento furioso, despeço-me da tua sombra que me persegue inconscientemente.

Danço agora sozinha às minhas músicas melancólicas. Respiro agora sem auxílios. Sinto-me desprotegida como uma criança sem a mãe.

Sou eu, sozinha, com a minha alma numa luta comigo mesma. Comigo e com a doença. Comigo e com o meu olhar derrotado. Comigo.

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