30 Maio 2017      16:43

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COMO NASCEU O VALIOSO E SINGULAR BARRANQUENHO?

Esta e outras questões encontrarão resposta no Congresso Internacional: "O barranquenho - ponte entre línguas e culturas: passado, presente e futuro" que decorre a 2 de junho em Barrancos.

O Barranquenho, falado em Barrancos, no Baixo Alentejo, resulta do contato entre o português meridional, ou alentejano com as variedades meridionais andaluzas e estremenhas, em Espanha.

A origem desta "fala" provavelmente esteja relacionada com os assentamentos na Idade Média, em torno ao Castelo de Noudar, de súbditos do reino de Castela, em terras hoje portuguesas. A permanência desta fala mista talvez se deva ao contínuo contacto mantido entre a vila de Barrancos e as populações vizinhas espanholas - relações de tipo social, cultural e económico – e ao isolamento que o município tem sofrido ao longo dos séculos.

Na Vila de Barrancos é possível ouvir três sistemas linguísticos diferentes: o português – variedade alentejana; o espanhol – variedade andaluza ou extremenha; e o barranquenho propriamente dito. A presença ou ausência dos traços que conformam a fala barranquenha, maioritária na Vila, estão relacionados com o grau de conhecimento do português standard. Porém, a fala espanhola é utilizada principalmente entre pessoas da primeira e da segunda geração e também na literatura oral tradicional (canções dos “quintos”).

A importância do Barranquenho é tão relevante do ponto de vista cultural e histórico para aquela comunidade que  foi classificado como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal, enquanto variedade falada pelo Povo de Barrancos desde tempos imemoriais.

E agora vai ser objeto de um Congresso Internacional que decorre a 2 de junho naquela vila alentejana.

O Congresso tem como objetivo reunir alguns dos maiores especialistas e investigadores em línguas/variedades mistas, em especial sobre o Barranquenho, no sentido de preservar e promover tão valioso património imaterial, em conformidade com as recomendações da UNESCO.

Serão também debatidas novas contribuições sobre o Barranquenho e a sua caraterização (socio) linguística, tradições orais, etc, pretendendo-se que este Congresso sirva de veículo potencializador de medidas de política linguística, entre elas a classificação do Barranquenho como Património Nacional e, futuramente, como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Estão envolvidos na organização o CIDEHUS-UÉvora/FCT; Centro de Linguística da Universidade de Lisboa; Universidad Complutense de Madrid; Cátedra UNESCO "Património Imaterial e Saber-Fazer Tradicional: Interligar Patrimónios"; FRONTESPO e Município de Barrancos

A participação é livre, limitada à capacidade do auditório, sugerindo-se a inscrição para o endereço cmb.museu@cm-barrancos.pt.

Imagem de capa de portugaldelesales.pt

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