8 Dezembro 2019      17:16

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Cidadania, como estás?

Olá cidadania, como estás?

Já há tanto tempo que não te vejo. Pensando bem, não sei se te cheguei a conhecer. Penso que te imaginei nos meus tempos de inocência, nos mesmos tempos em que cheguei a pensar mesmo que existia uma fada mágica que trocava o nosso dente de leite, por uma prenda.

Confundo-te imenso com a solidariedade e equidade. Uma das vossas parecenças é que não estão presentes; o vosso significado aparece, apenas, no dicionário para fazer inveja.

Aprendo imensas coisas com a minha avó, aliás, ela diz-me sempre “aprende comigo Rita, que não vou durar para sempre”, claro que estremeço sempre quando ouço a tão típica frase. A minha avó, doente quase a perder a visão, costuma sempre limpar a rua toda, não apenas a sua parte.

Tento ajudar, mas claro, mas é a minha avó, não vai deixar; em vez disso, fico a fazer-lhe companhia, a contar como foi o meu dia de escola e a pensar que quando for mais velha, quero ser como ela.

Não sei se ajo bem ou mal, pois, assim, habituo os outros de uma forma errada. Sinceramente, onde estás cidadania? Perdeste-te? Fartaste-te?

Onde está o erro? Em mim? Nos outros? Em todos nós? Na humanidade? Quem me dera que fosse tão fácil de detetar o erro como aqueles livros de “Onde está o Wally?” que jogava com o meu pai.

Todos os dias caminho e não penso no caminho a traçar, pois esse, já é um instinto, em vez disso, observo. Observo imensas pessoas descontentes e tento imaginar o porquê e tento, também, pensar numa solução, mesmo sabendo que nunca saberão.

Nessa mesmo caminhada, dou uso a outro sentido, a audição. Ouço tantas conversas que me arrepiam. Trocas de palavras sem um único “obrigado” ou “por favor”. Vejo, também, carros descontentes a desrespeitar as regras que prometeram cumprir e, sinceramente, isso é tão triste.

Mas vou parar. Não te quero assustar cidadania, se fosse recitar todos os problemas que tenho conhecimento, penso que não voltarias de vez.

Acho que é tudo uma questão de perspectiva, sabes? Cheguei a uma conclusão que as pessoas de hoje em dia, apenas sabem conversar a denunciar mau hábitos de outros.

Tantas vidas perdidas ao longo da nossa história, para não sermos gentis agora?

 

Por Rita Medinas, natural de Reguengos de Monsaraz, com dezoito anos e estudante do Curso de Português na Universidade de Coimbra.

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