Os concelhos do Baixo Alentejo e do Alentejo Litoral estão sem meios aéreos para o combate inicial a incêndios florestais, numa altura em que as elevadas temperaturas aumentam o risco de fogos, gerando preocupação entre autarcas, bombeiros e populações. Os helicópteros previstos para os Centros de Meios Aéreos de Grândola, Ourique e Moura, que deveriam estar operacionais desde 1 de junho, no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2025, ainda não foram disponibilizados, revelou o jornal Público a 20 de junho.
A Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL), que abrange Grândola, Alcácer do Sal, Santiago do Cacém, Sines e parte de Odemira, denunciou um atraso de 18 dias na chegada do helicóptero destinado ao heliporto de Grândola. Vítor Proença, presidente da CIMAL e da Câmara de Alcácer do Sal, criticou o Governo por “colocar em risco um vasto património florestal” de sobreiros e pinheiros-mansos, essencial para a região e o país. Ricardo Costa, vereador da Proteção Civil de Grândola, destacou a importância destes meios para conter incêndios na fase inicial, citando um recente fogo em Melides que consumiu 7 hectares.
No Baixo Alentejo, a situação é igualmente grave. Os helicópteros previstos para Moura e Ourique, que serviriam 13 dos 14 concelhos do distrito de Beja, continuam ausentes. Marcelo Guerreiro, autarca de Ourique, manifestou “profunda preocupação”, sublinhando que a falta de meios aéreos compromete a segurança numa região com elevada carga combustível. Em Moura, o incumprimento da data inicial de 15 de maio para a chegada do helicóptero, instalado junto à Barragem do Alqueva, foi também lamentado. A Federação do Baixo Alentejo do PS considerou a situação “inaceitável”, alertando que, em 2025, já arderam 632 hectares em 96 incêndios no distrito, números 46% e 33% superiores ao período homólogo de 2024.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) indicou que o país dispõe de 67 meios aéreos, menos nove do que o previsto para esta fase do DECIR, mas não especificou as razões da falha. Uma investigação da Polícia Judiciária sobre possível cartelização no setor das aeronaves de combate a incêndios e avarias reportadas pela Força Aérea Portuguesa são apontadas como causas do atraso. Apesar de 89 milhões de euros do fundo NextGenerationEU terem sido investidos em meios aéreos, incluindo helicópteros AW119 Koala, a ausência de respostas concretas do Ministério da Administração Interna e da Força Aérea agrava a inquietação, numa região onde a época crítica de incêndios se aproxima.