Luís Vital Alexandre, presidente da Câmara Municipal de Grândola, alerta que Grândola enfrenta desafios estruturais na área da habitação que refletem a realidade nacional, e o município, sozinho, não conseguirá dar resposta a todas as necessidades.
O alerta foi deixado pelo presidente no mais recente episódio do podcast Urbanidades, divulgado esta quarta‑feira.
O autarca sublinha que a colaboração com investidores privados será essencial para garantir soluções habitacionais, não apenas para a população local, mas também para os trabalhadores que chegam ao concelho. “Se os investidores, os promotores turísticos e outros não tiverem habitação para satisfazer as suas próprias necessidades, estes investimentos podem sucumbir”, afirma.
Note-se que, nos últimos anos, Grândola esteve no centro das atenções devido aos seus quase 50 quilómetros de costa e ao crescimento de empreendimentos turísticos de luxo. Contudo, a pressão imobiliária tem deixado marcas: faltam casas para residentes e para quem trabalha no turismo ou na construção, levando ao recurso a soluções temporárias. “Já temos, por exemplo, quase aldeias de contentores em vários pontos do concelho”, exemplifica Luís Vital.
Para enfrentar o problema, o autarca aponta vários instrumentos disponíveis, como contratos de investimento para arrendamento, incentivos ao setor cooperativo e a conversão de solos rústicos em urbanos, possibilitada por alterações legislativas recentes. O presidente recorda ainda o compromisso assumido em campanha: construir 300 habitações para arrendamento acessível. “Vamos ter de recorrer a essa faculdade”, admite.
Sobre o futuro do turismo na costa, Luís Vital esclarece que os projetos atualmente em construção já estavam previstos, mas as alterações ao Plano Diretor Municipal (PDM), aprovadas em 2024, travaram novos investimentos na faixa litoral, considerada uma zona de elevada pressão turística. Assim, as novas unidades de alojamento serão orientadas para o interior do concelho.
O autarca reforça que o desenvolvimento tem de ser equilibrado e sustentável, lembrando que questões como a gestão da água exigem uma abordagem integrada. Ainda assim, deixa uma mensagem de abertura: “O turismo é bem‑vindo, os investidores são bem‑vindos. Como cantava o Zeca Afonso, seja bem‑vindo quem vier por bem. Todos aqueles que venham por bem, estamos aqui para trabalhar em conjunto e encontrar as melhores soluções.”
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