26 Abril 2018      11:02

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Alqueva: Uma agricultura mais sustentável

A expansão das áreas de regadio no Alentejo tem beneficiado culturas e práticas agrícolas de produção intensiva e super intensiva, que tanto podem ser encaradas como origem de riqueza e vetor de desenvolvimento, como uma fonte de preocupações para a região.

À escala mundial, em áreas de produção agrícola intensiva o que se tem verificado é uma tendência persistente e progressiva de redução no teor de matéria orgânica presente no solo; aumento do risco de salinização; deterioração gradual do estado quantitativo e qualitativo das massas de água; perda de habitats e biodiversidade; e em última análise desertificação dos territórios.

Ainda que a humanidade necessite de duplicar a sua produção alimentar para satisfazer as necessidades de uma população que deverá atingir 9,8 mil milhões de pessoas em 2050, tendo em consideração os impactes ambientais estimados devido à intensificação da produção agrícola, é fundamental que se ponham de parte as práticas e os métodos convencionais de agricultura intensiva.

Erradicar a fome é um dos maiores desafios da humanidade, contudo, garantir à geração futura a capacidade de suprir as necessidades de produção e a sustentabilidade de vida no planeta requer, naturalmente, uma profunda mudança no paradigma agrícola mundial.

Neste contexto e sem comprometer os compromissos internacionais assumidos para erradicação da pobreza e combate às alterações climáticas, há inúmeros estudos que demonstram que é possível gerir os territórios agrícolas e agroindustriais de maneira mais sustentável.

Segundo a FAO, uma alternativa é o de produzir mais com menos. "Poupar para crescer" é um modelo orientado para intensificar a produção agrícola que pretende simultaneamente proteger e melhorar a base de recursos naturais da agricultura, reduzindo, dessa forma, a dependência dos insumos químicos, recorrendo a processos naturais que ocorrem nos ecossistemas.

Outra possibilidade é a opção por um modelo de produção biológica/orgânica, baseado num sistema agrícola sustentável que respeita o meio ambiente e o bem-estar dos animais, incluindo todas as etapas da cadeia de abastecimento, designadamente o abastecimento de matérias-primas, a preparação, o armazenamento, o transporte, a distribuição e os serviços de retalho.

Além destas, a agricultura de conservação, também, se assume como um modelo de eleição, uma vez que as técnicas agrícolas utilizadas no maneio do solo, regra geral, produzem efeitos positivos na conservação do teor de matéria orgânica, o que beneficia a estrutura e composição do solo, bem como a biodiversidade natural.

Cabe advertir, no entanto, que a questão central para o Alentejo é que tipo de modelo agrícola se quer para a região. A agricultura de regadio é uma atividade que partilha um espaço restrito com muitas outras atividades económicas, pelo que o aumento da utilização de agrotóxicos, de sementes geneticamente modificadas e de insumos químicos colocam em risco tanto o desenvolvimento local como a sustentabilidade do território.

Portanto, a expansão agrícola de produção intensiva no Alentejo não se pode aceitar unicamente sob o ponto de vista do desenvolvimento sustentado do agronegócio. Devem ser analisadas e avaliadas as consequências ambientais potencialmente negativas deste tipo de uso do solo sobre outras funções económicas e ecológicas.

Aliás, o desenvolvimento local combinado com a sustentabilidade do território significa manter um profundo respeito pelas populações e pelos valores naturais e culturais que se inserem nas áreas ocupadas pelo regadio. Uma definição de agricultura sustentável esclarece que é aquela que respeita o meio ambiente, é justa do ponto de vista social e consegue ser economicamente viável.

O problema só ressurgirá quando o solo se degradar completamente e for impraticável ou muito complexo de restaurar.

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