11 Setembro 2020      10:02

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Ainda se lembra que dia é hoje?

Era um jovem universitário a fazer zapping compulsivo na tentativa de encontrar uma desculpa para não pegar nos livros, quando – passavam uns minutos das 9:03h em Nova Iorque, 14:03h em Portugal – ao ver um pasmado José Rodrigues dos Santos, paro na RTP1 e vejo um jornalista experiente - cujas primeiras memórias me enviam para a Guerra no Golfo, estando, como tal, habituado a cenários difíceis – atónito, a tentar explicar o que estava a acontecer nas imagens que se viam em direto dos Estados Unidos.

Não passaram muitos minutos e a sua perplexidade aumenta ao vermos juntos - eu, ele e milhões de pessoas em todo o mundo - em direto, o embater de um segundo avião na outra torre do WTC; tudo sem que ninguém soubesse ainda explicar o que estava a acontecer.

As imagens sucediam-se de vários ângulos. As ligações a emissões em direto de várias cadeias televisivas mundiais eram unânimes no espanto e na escassa informação.

Neste dia e por este dia, não foram só as torres a ruir. Muito daquilo que era desejo mundial de Paz, ruiu. A Liberdade foi beliscada e a Democracia ferida. Mas o pior foram as “infeções” causadas nestes pilares e deixaram sequelas.

Já se contam dezanove anos do dia em que o inesperado aconteceu e que, em breves minutos, o mundo mudava, quer com o acontecimento que teve lugar em Nova Iorque, quer com as consequências diretas do acontecimento em si, quer com os muitos usos e aproveitamentos do mesmo e cujos ecos ainda hoje se sentem fortemente na geopolítica mundial.

Surgiram inúmeras teorias de conspiração sobre estes atentados e que levantavam muitos factos e dados suspeitos.

Muitos acusam o então presidente George W. Bush por ter provocado este “atentado” de modo a poder ter uma justificação plausível para invadir o Iraque e intervir no Afeganistão e Paquistão – o que veio a acontecer após a célebre cimeira nos Açores com Blair, Aznar e Durão Barroso - e combater Ossama Bin Laden e a sua organização terrorista Al-Qaeda - que haviam reivindicado os atentados.

Depois disso e de uma invasão no Iraque, dois anos depois, em 2003, e que se sabe hoje que partiu de uma suspeita de armas químicas infundada, mas há muito mais.

Ver o filme "Official Secrets", com Keira Knightley, baseado em factos verídicos, certamente irá trazer à luz o como se fez o início da guerra.

Depois disto, o Médio Oriente continua ainda hoje em convulsão e a guerra alastrou, fazendo milhões de refugiados que procuram a Europa como boia de segurança e salvação.

Quais as razões para isto? Está o mundo mais seguro?

Talvez não. Talvez este acontecimento tenha servido para o surgimento dos Trumps deste mundo, para o limpar o pó das velhas armas, recuperar velhos inimigos, velhas divisões. “To make America great again” - uma frase usada pelo Klu Klux Klan - não deveria significar isolamento e protecionismo, nacionalismos exacerbados e rompimento de acordos e de relações com velhos parceiros de sempre e até com organizações como a OMS.

A verdade já não é uma certeza; todos os dias se torna mais difícil discernir o que acontece do que se diz que aconteceu e ainda menos compreender o que está a acontecer.

Certezas só uma: o mundo mudou naquela data, e não foi para melhor! Mas só não o será se cada um de nós o permitir.

Uma nota final de esperança. Quando os passageiros dos aviões que foram sequestrados perceberam o que ia acontecer deixaram mensagens aos seus familiares queridos (gravações disponíveis no Youtube). Todas de amor.

Termino, uma vez mais, citando Chaplin no seu discurso de o “Grande Ditador”: “Vocês têm o amor da humanidade no vosso coração. Vocês não odeiam, só os que não são amados e não naturais odeiam. (…) Vocês, o povo, têm o poder — o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade! Vocês, o povo, têm o poder de fazer esta vida livre e bela, de fazer desta vida uma aventura maravilhosa.”

 

 

Artigo reescrito com base nos artigos publicados no Tribuna Alentejo ao longo dos anos.

Imagem de townnews.com

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