2 Agosto 2016      19:41

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A LIÇÃO DO BUTÃO

O clima social na União Europeia (UE) está mais tenso, as pessoas estão com medo e deixaram-se apoderar por sentimentos defensivos e de desconfiança, prova disso é que após 43 anos de vida em comum, o Reino Unido decidiu abandonar a UE.

Ora, a negação dos problemas nunca contribuiu para a sua solução, bem pelo contrário, sempre os agravou. E, atualmente, se há poucas certezas que nos restam, há uma que se destaca: a Europa, atravessa uma crise económico-social séria e profunda que teima em acomodar-se no âmago das nossas sociedades.
 
Na verdade, se antes nos habituámos a medir a riqueza de um país segundo o seu bem-estar económico e material, assente no indicador de crescimento econômico, que mede as variações do Produto Interno Bruto (PIB), agora nada disso parece fazer sentido. Países com maior PIB, também, evidenciam infelicidade, desconfiança e insegurança dos cidadãos e quanto maior o PIB maior é a “panela de pressão social” preste a implodir ao mais pequeno desequilíbrio.
 
Redefinir a riqueza e o bem estar-social significa utilizar outras ferramentas de medição, um novo sistema e uma nova hierarquia de valores, uma nova avaliação daquilo que é realmente importante. Se precisamos de medir para conhecer e se precisamos de conhecer para atuar, então teremos que adoptar ferramentas que traduzam o grau de satisfação e bem-estar da população.
 
Por cá, no seio da UE, a Comissão Europeia insiste em obrigar de modo obstinado os estados membros a cumprir as metas orçamentais, sem que se detenha um momento a analisar as questões que levaram ao desvio. Para os prevaricadores resta a aplicação de sanções, numa atitude que desvirtua o conceito fundamental em que assenta a construção do projeto europeu. Não importa as causas, nem os efeitos é preciso cumprir custe o que custar, numa visão de desenvolvimento puramente econométrica que coloca de lado a vida, a dignidade e a felicidade do ser humano. Mas há outras alternativas que não a punição e aqui entra a lição do Butão.
 
O Reino do Butão é um pequeno país localizado no sul da Ásia, encravado entre a China, a Índia e o Nepal e que há cerca de 44 anos colocou de lado o conceito do PIB. Em 1972, o então rei Jigme Singye Wangchuck proclamou a criação de um índice de mensuração de desempenho para seu país designado por "Felicidade Interna Bruta" (FIB), declarando o fim da importância do Produto Interno Bruto como medidor do desempenho do país.
 
A convicção principal da FIB é que o objetivo da vida não pode ser limitado à produção e consumo, seguidos de mais produção e mais consumo. As necessidades humanas são mais do que materiais, o que importa é a busca da felicidade humana sempre em harmonia com a terra. Esta forma de exprimir o desenvolvimento alarga o conceito, integrando o desenvolvimento material com o psicológico, com o cultural e com o espiritual. O conceito original segue 4 diretrizes: desenvolvimento econômico sustentável, preservação da cultura, conservação do meio ambiente e "boa governança".
 
Todavia, o modelo do Butão despertou a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU), que apresentou, em abril de 2012, o primeiro Relatório Mundial sobre Felicidade, produzido pela Universidade da Colúmbia. Posteriormente, a ONU adoptou a Felicidade Interna Bruta como uma forma de complementar as medidas tradicionais, como o PIB, para medir o desenvolvimento de uma nação. O indicador de FIB desenvolvida pela ONU foi dividida em nove categorias: Bem-estar psicológico; Saúde; Uso do tempo; Vitalidade comunitária; Educação; Cultura; Meio ambiente; Governança; e Padrão de vida.
 
A talhe de foice resta-me apenas referir que o desenvolvimento é ser feliz, esta é a enorme lição do Butão.
 
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