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Falsificação

Frederico Ferreira Fernandes era falsificador de filmes, fotografias e fotocópias. Habitante de Famalicão, fazia as suas falsificações numa firma de frigoríficos. Amante de cinema, Frederico Ferreira Fernandes tinha uma vida calma e, sempre que podia, ia ao cinema ver um filme. O seu favorito era o Frankenstein. Tinha visto o filme vezes sem conta. Tantas vezes tinha Frederico feito as mesmas coisas que os vizinhos e os habitantes de Famalicão já lhe conheciam as rotinas.

E é ou não é?

É! Talvez seja, mas se não for, também existe a hipótese de que seria.... eventualmente, dependendo do empenho dos especialistas e dos estudantes. Vários estudos patrocinados por várias entidades tentaram verificar se era ou não era e onde colocar o indivíduo que se chamava Eduardo, mas por razões de privacidade chamar-lhe-emos indivíduo E.

D de Dor

Tantas palavras há para falar entre aquelas que começam pela letra D. Optei por começar a escrever sobre algo que todos nós, algum dia já sentimos – dor. Seja ela física, emocional, racional, irracional. A dor é comum a todos nós e em tantas situações devastadora. Dói quando falamos de dor. Dói quando nos sentimos sós ou quando alguém, através de qualquer palavra, começada por qualquer letra nos trespassa o coração sem qualquer piedade.

C - Cambada de erros crassos

O cigno do Cidónio era Caranguejo. Tudo nele condizia. Andava de lado, em vez de andar em frente. Não porque fosse tropo ou coxo, mas era mesmo assim o Cidónio. O nosso personagem dizia que tinha nascido na cidade de Coimbra (só porque começa em C...) mas, na realidade, ele nasceu em Cetúbal, no ano de 1926. A vida nessa altura não era nada fácil, custava começar uma vida e concentrar as coisas num caminho como a vida no campo. Cidónio cresceu contente, ignorando a cambada de erros crassos (ou nem assim tantos) que seria a sua vida.

Uma crónica literária começada com B

Belzebu nasceu de um corno de Pã. Mau como as cobras, a figura teve de fugir do meio onde se encontrava. Já tinha feito mal a mais de metade da povoação onde vivia. Belzebu, feio como uma besta, cara de bezerro e corpo de burro, arranjava sempre conflitos com toda a gente que morava na povoação. As pessoas, seres humanos que desconheciam a verdadeira origem e natureza de tal ser, cujo nome começava por B, falavam dele sempre de modo pejorativo. Diziam as pessoas, ah filho de um corno. Mal sabiam que era mesmo filho do corno de Pã.

O ovo quadrado

 

O ovo nasceu, no dia 10 de agosto, orgânico. Isto é, saiu da parte traseira da galinha nesse mesmo dia, mas esse ovo era um ovo diferente. Em vez de ser oval, o ovo era quadrado. Posso imaginar o esforço da galinha a por aquele ovo.

A mãe achou aquilo estranho, olhou e fez um daqueles barulhos que as galinhas fazem, e abanou a cabeça em jeito de espanto. Nunca tinha visto e muito menos posto um ovo de semelhantes características. Aquele ovo era diferente, era quadrado! Achais vós que não há ovos quadrados? Este era.

O homem a quem todos os cães mordiam 

Tinha nome de gato, Felix. Ainda hoje não se sabe ao certo mas talvez fosse por isso que todos os cães o mordiam. Cada vez que passava perto de um cão não se escapava sem levar uma ferroada do canino, fosse qual fosse a raça. Dias havia em que até os pincher o atacavam. Outro dia, um pachorrento de um cão que dormia o sono dos justos agarrou-se-lhe à pele de forma tal que lhe deixou marcada a forma dos dentes e vai ficar cicatriz.

Casca de Limão

O local onde se passa a nossa crónica de hoje é um pântano, onde em vez de água pútrida, havia sumo de limão apenas. Incrível, não é? A possibilidade de tal acontecer, de tão remota, deixava todos boquiabertos. O motivo de aquilo ocorrer era um mistério, porque tão perto não havia qualquer sinal de limoeiros nem limões.

O relâmpago

Naquele tempo, quando os ventos andavam pelo Mundo e ainda tinham corpo físico, quando a chuva tinha a forma gasosa e só acariciava levemente as plantas, os rostos dos animais e as terras do mundo. Naquele tempo, quando ainda não havia seres humanos nem casas, os elementos naturais viviam ainda em livre vontade e eram como que espíritos e pessoas que navegam pelas terras do mundo, ao sabor da natureza.

Dente por Dente

O nome da clínica era Dente por Dente e ficava duas ruas acima do lugar mais perto do fim da vila. Ele, um dos sócios, tinha-se tornado dentista muito novo, quando terminou o curso. Era um dentista dedicado que só trabalhava com a mais pura das certezas. Não usava a broca nos dentes dos clientes se resquício algum de infeção pudesse haver.

A sua sócia era bastante mais descontraída, porém especialista em coroas e implantes de titânio. A trabalhar para eles tinham ainda um higienista oral.

Não faltava nada no Dente por Dente! Até os preços eram imbatíveis.

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