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A MÚSICA

A história da vida dos Homens é escrita em livros e guardada em museus e arquivos grandiosos e antigos, onde se mistura com esculturas, pinturas, bustos, artefactos e muitos outros fragmentos de memória. A história da vida de um Homem não cabe num museu e, para ser contada, tem de ser escrita em volumes vários. Cada Homem é um fragmento da multitude de artes, conhecimentos e criação. A história da música confunde-se com a história dos Homens e é escrita em pautas e guardada nos ouvidos dos Homens que a ouvem, que a escrevem e que fazem parte da história.

O AMANHECER

O dia amanhece antes que o murmúrio do nosso olhar assente no horizonte. Há um Sol que surge sempre a Oriente e desaparece nos antípodas. Diria que somos conhecidos, que já nos vimos em muitos lugares do mundo, em tantas das minhas viagens e aventuras pelo globo terrestre fora.

O MENINO E O CROCODILO

No momento em que, à meia-noite, do dia 20 de maio de 2002, o relógio dava doze badaladas, num campo estendido entre três lagoas, ouviam-se os festejos do nascimento. Nascia um novo dia e nascia um novo país. Nesse momento, Kofi Annan declarava a restauração da independência de Timor-Leste. A Oriente, as lágrimas daqueles que lutaram misturavam-se, nos rostos, com os sorrisos do nascimento e, todos, unidos em torno de um ideal, sorriam e choravam, olhando a bandeira que se elevava no ar.

Recordo-me, e gostaria de contar-vos, a propósito da restauração da independência, de uma breve história, com tonalidades de lenda, que me foi contada pela voz envelhecida e sábia de um lian nain. É a história de Timor-Leste e de um menino, nos seus sonhos de crocodilo, partindo em busca do disco dourado que existe no fim do mar. Encontraram-se, nas Celebes, por acaso. O menino descansava à beira de um rio que deslizava para o mar, enquanto observava as maravilhas que o seu olhar conseguia avistar. O menino pensava e sonhava, olhava o Sol que tinha acabado de nascer e pensava que aquele disco, aquele disco dourado era o seu sonho e que um dia iria alcançá-lo. Todos temos sonhos na nossa vida, pensava. Todos os temos e todos os devemos viver. Ambicionar chegar até eles e alcançá-los é um direito nosso e ninguém tem o direito de nos tirar esses sonhos, pensava o menino que, um dia, seria avô, na sua inocência de criança, guarda em si todos os sonhos do mundo como já dizia Pessoa.

ENTRE PARALELOS

A nossa vida, a de todos e de cada um, faz-se entre paralelos. Tudo começa e acaba numa latitude. Toda a nossa existência percorre latitudes, longitudes, paralelos e meridianos. Algumas até desenrolam-se entre trópicos, atravessando a linha do equador uma ou muitas vezes. Cada paralelo, cada ponto longitudinal é diferente do outro. Aliás, cada metro e cada um de nós é diferente. Nunca até hoje vi duas rochas iguais. Nunca até hoje senti que a água passasse duas vezes no mesmo sítio como já os sábios gregos antigos notaram.

9 DO 5

Tudo começou há muitos, muitos anos atrás. Na altura de deuses e deusas, de reis e princesas fenícias, tempo em que o alfabeto era diferente e de trás para a frente. Era uma vez uma princesa que se chamava Europa e estava só, no meio do campo. Sozinha, sentada nos Urais, olhava para o seu ocidente. Pensava nos largos campos que se estendiam até ao mar. Imaginava que o mundo terminaria aí. Seria um cabo que pensava chamar-lhe finisterra quando lá chegasse um dia.

O MEDO

Às vítimas de violência xenófoba.

RAMELAU

Do cimo do Monte Ramelau vemos o mundo mas o mundo não nos vê a nós.

Do cimo do Monte Ramelau olhamos o infinito que nos retribui o olhar sem que sejamos percebidos. Na montanha mais alta de Timor-Leste, imponente e impávida, do alto dos seus 2963 metros de altitude, olhamos ao redor o tudo que é a imensidão total. Olhamos, sentados, o percurso percorrido até ao cume, revemo-nos na subida. Revemos todo o nosso percurso, este e o de vida e miramos a imensidão total agora que o Sol já rompeu no horizonte.

Lee Kwan Yew

O que é um nome?

Quantos nomes existem no mundo?

Podemos ter o mesmo nome, ser gémeos idênticos mas nunca seremos a mesma pessoa.

O que é um nome?

Esta semana dou como título a este texto um nome.

Um nome tonal, um nome oriental. O nome de Singapura. Atrás desse nome esconde-se uma pessoa. Atrás de um nome esconde-se sempre uma pessoa. Por isso, é tão complicado incluir tanto, tantas idiossincrasias, tantas variantes num nome em algo tão reduzido como um nome.

Myanmar

A existência de um país na Ásia chamado Myanmar poderá deixar-nos, nos primeiros instantes, a pensar onde se situa. Tomando o meu caso específico, sempre me referi a este país como Birmânia, entre a Tailândia e a China. Visitei-o há pouco tempo. Não tendo planeado com antecedência e sendo um destino sempre desejado mas considerava-o pouco provável. A surpresa foi, porém, superior às expetativas. Sabia que encontraria templos, grupos étnicos tradicionais e um povo relativamente fechado, dada a sua história e acontecimentos políticos das últimas décadas.

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